Ir para o conteúdo
IECLB História Acervo histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Comunidade

Comunidade Evangélica de Lorena

Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Martim Lutero · Brusque – SC

Colônia

No ano de 1860, cerca de cem imigrantes alemães, oriundos do Grão-Ducado de Baden, chegaram à região do Médio Vale do Itajaí-Mirim, hoje formado pelos municípios de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Vidal Ramos. A iniciativa de trazer os imigrantes partiu do governo provincial de Santa Catarina, que desejava promover a fundação e estabelecer os limites da Colônia de Itajaí. Esses imigrantes foram instalados às margens do ribeirão Guabiruba. Cada família recebeu do governo de Santa Catarina, por doação ou compra, um lote de terras de 25 a 30 hectares. O mesmo governo desejava desenvolver uma região agrícola, fundamentada em pequenas propriedades. Essa região, hoje chamada Guabiruba, pertencia ao território de Brusque.

O encarregado de encaminhar os imigrantes que ali chegavam para suas propriedades foi o diretor e administrador de Brusque, Barão Maximiliano de Schnéeburg. Guabiruba foi a primeira linha colonial de Brusque a receber um grande contingente de pessoas de origem germânica.

Assim como em outras áreas de colonização alemã no Brasil, os imigrantes estabelecidos em Guabiruba tiveram de enfrentar inúmeras dificuldades iniciais e adaptar-se à nova terra. Entre as situações adversas por que passaram os colonos alemães estão: a) o novo tipo de agricultura e a falta de instrumentos de trabalho – os colonos recebiam apenas uma enxada, um machado, um facão e uma foice; b) o novo clima e as doenças; c) o confronto com os indígenas; d) a dificuldade de locomoção.

Os primeiros anos da colonização de Guabiruba foram dedicados à construção de estradas. Precisava-se também limpar o rio para a navegação com canoas. Ao longo do tempo, as famílias que habitavam Guabiruba conseguiram superar as dificuldades iniciais.

Desde que os alemães, com vocação essencialmente agrícola, chegaram ao local, as terras em Guabiruba foram minguando, obrigando os habitantes a buscarem novas alternativas de subsistência. A crise agrícola coincidiu com o desenvolvimento de Brusque e Blumenau, fato que atraiu muitos agricultores para as fábricas. Em 1892, aconteceu a instalação das primeiras indústrias têxteis em Brusque, e muitos colonos de Guabiruba forma trabalhar ali. Hoje, a principal atividade econômica da cidade é a indústria têxtil.

O município de Guabiruba foi distrito de Brusque por quase um século, sendo emancipado em 1962. O nome Guabiruba pode ser originário do termo que os indígenas Guaianaze utilizavam para designar um tipo de peixe, o guabirupé, ou ainda de uma árvore frutífera típica da região, a gabiroba ou guabiroba.

[HAACKE, Beatriz Regina. História do Templo e da Comunidade Evangélica Luterana de Lorena, Guabiruba/SC. 2007. Monografia de História da Igreja I - Faculdade de Teologia, Escola Superior de Teologia, São Leopoldo, 2007.]

Procedência dos imigrantes

A região que hoje forma o município de Guabiruba era habitada por indígenas Guaianaze. A maioria dos imigrantes são de origem alemã. Anos mais tarde, ocorreu a vinda de imigrantes da Itália. Quase 70% do total dos primeiros imigrantes alemães que se estabelecerem em Guabiruba procediam da região de Baden. Havia, ainda, outros oriundos das regiões de Holstein, Pomerânia, Hessen, Prússia, Baviera, Oldenburg e Schwartzburg. Todos foram registrados em Brusque, sede do município.

A maior parte dos imigrantes alemães que vieram a Guabiruba era católica. Aqueles oriundos de Baden eram praticamente todos católicos. Os protestantes procediam de outras regiões da Alemanha como Holstein, Prússia, Hessen e Oldenburg.

[HAACKE, Beatriz Regina. História do Templo e da Comunidade Evangélica Luterana de Lorena, Guabiruba/SC. 2007. Monografia de História da Igreja I - Faculdade de Teologia, Escola Superior de Teologia, São Leopoldo, 2007.]

História

Como Guabiruba era distrito de Brusque, os evangélicos que aí moravam participavam da Comunidade de Brusque. Quando queriam ir a um culto, tinham que locomover-se até Brusque. Isto não era tão simples, pois as estradas não eram boas. O percurso era longo e tinha que ser feito a cavalo, carroça ou até mesmo a pé.

Com o passar do tempo, a colônia de Guabiruba foi se desenvolvendo e, no ano de 1958, passou-se a celebrar cultos na localidade de Holstein, onde hoje fica a escola municipal. Os cultos eram ministrados geralmente pelo pastor de Brusque, P. Werner Brunken. A partir de 1965, as senhoras evangélicas reuniam-se mensalmente na casa da senhora Rosa Missfeldt. Essas reuniões deram início ao grupo de OASE (Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas) da Comunidade de Lorena.

Em 1974, iniciaram-se as reuniões de estudo bíblico. As famílias luteranas reuniam-se esporadicamente nas casas dos senhores Evaldo Missfeldt, Alfredo Missfeldt, Érico Pühler, Jacó Pühler, Edgar Habitzreuter e Lothar Prust para realizar o estudo bíblico. Durante esses encontros, contavam com a assistência dos senhores Gerard Kock, Otto Kuckenbecker e Natalin Floriani, que vinham de Brusque para organizar a reunião de estudo e preparar momentos de meditação e reflexão. As raízes das comunidades da IECLB em Guabiruba estão nesses grupos de estudo, pois é a partir deles que surge a idéia de se ter uma comunidade com templo em sua própria cidade.

Foi na casa do senhor Edgar Habitzreuter, ponto de encontro de estudos bíblicos, que foi fundada, em 20 de março de 1977, a Comunidade Evangélica de Lorena. Faziam parte dessa comunidade as famílias de Jacó Pühler, Edgar Habitzreuter, Érico Pühler, Alfredo Missfeldt, Arnaldo Suave, Evaldo Missfeldt, Ambrósio Dias, Lothar Prust, Alberto Dietrich, Reinoldo Dietrich e os seguintes senhores e senhoras: Arnoldo Becker, Orlando Albrecht, Gertrudes Soave, Luiza Pühler, Selma Morsch, Frieda Fischer e Ana Soave. A partir daí, a construção de um templo tornou-se o assunto das rodas de conversa nas varandas das casas das pessoas que formavam a comunidade.

A Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Lorena conta, atualmente (ano 2007), com 55 famílias e nela se inclui também o Ponto de Pregação Sternthal, no bairro Aimoré, Guabiruba. A Comunidade faz parte da Paróquia Martim Lutero de Brusque que, por sua vez, compõe a União Paroquial de Brusque, Guabiruba e Nova Trento (CELBRUS – Comunidade Evangélica Luterana de Brusque). Apesar de ser uma comunidade jovem, com trinta anos de fundação, sua história une-se a de muitas das comunidades que hoje formam a IECLB, refletindo um exemplo de força de vontade, perseverança e união de pessoas que ansiavam em ter um local onde pudessem se encontrar e estar na casa de Deus para prestar-Lhe culto.

[HAACKE, Beatriz Regina. História do Templo e da Comunidade Evangélica Luterana de Lorena, Guabiruba/SC. 2007. Monografia de História da Igreja I - Faculdade de Teologia, Escola Superior de Teologia, São Leopoldo, 2007.]

Templos

No dia 19 de junho de 1977, as famílias evangélicas da localidade de Lorena reuniram-se na residência do senhor Edgar Habitzreuter e decidiram formar uma Comunidade própria, com templo e cemitério. A princípio, cogitou-se a idéia de se construir um único templo, que reunisse as famílias luteranas de Lorena e de Holstein, contudo, essa idéia tornou-se inviável. Cada comunidade, então, construiria seu templo.

A discussão quanto ao local onde seria construído o templo da Comunidade de Lorena cessou quando se percebeu que o rio poderia atrapalhar a passagem das pessoas que quisessem ir à igreja, caso a mesma fosse construída num morro. O templo seria, conforme decidido, construído num local de fácil acesso a todos. Os terrenos do templo e do cemitério foram doados pelos irmãos Evaldo e Alfredo Missfeldt.

Em 9 de outubro de 1977, ocorreu o ato de lançamento da pedra fundamental da Igreja Evangélica de Lorena, com culto festivo ministrado pelo pastor de Brusque, Werner Brunken. A comunidade contava com dez famílias e sete pessoas individualmente, somando um total de cinqüenta e três pessoas. No culto estavam presentes, além da comunidade local, a diretoria da Paróquia de Brusque, o coral e o coro de trombones de Brusque e demais convidados. O sermão do culto foi baseado em Mateus 7.24-27, acentuando que “o verdadeiro fundamento da vida cristã não é a igreja de pedras, mas sim Jesus Cristo. Onde pessoas estão reunidas em seu nome, aí existe um fundamento firme”.

As próprias pessoas da comunidade realizaram a mão-de-obra voluntariamente e ainda fizeram doações de material para a construção do templo. Enquanto o templo não ficava pronto, os cultos eram celebrados ao ar livre. No dia 29 de outubro de 1978, em culto solene, foi inaugurado o templo da Comunidade Evangélica de Lorena. O ato inaugural foi presidido pelo pastor regional da II Região Eclesiástica da IECLB, P. Heinz Ehlert. Na ata do dia, consta uma descrição do que significou para a comunidade a construção de seu templo:

"É interessante ressaltar aqui que antes de terem sua igreja, as famílias daqui deslocavam-se para a Comunidade de Holstein, ou para o centro, para participarem dos cultos. Sendo muitas vezes necessário caminhar horas a pé. Por tudo isto, reina hoje muita alegria nos corações destas famílias, por terem agora perto dos seus lares sua casa de oração, e assim poderem reunir-se regularmente em culto e adoração a Deus. Destaca-se aqui também a união da Comunidade, sua dedicação, seu empenho, e graças a tudo isto, podem hoje com gratidão entregar sua igreja ao serviço do Senhor, Vivo e Verdadeiro".

Em 1987, foi dado início à construção do centro evangélico de Lorena, cuja pedra fundamental foi lançada em culto ministrado pelo P. Daví Danker, no dia 08 de março.

O templo da Comunidade de Lorena é de alvenaria. Sua construção foi concluída em 1978. O templo se encontra hoje da mesma maneira como foi construído, como também os elementos que o compõem. Porém, ao longo dos anos, foram sendo feitos melhoramentos como pinturas e ampliação do espaço na frente do templo. Ao lado esquerdo do templo está o cemitério e, ao lado direito, o centro evangélico, com salão de festas, cozinha, churrasqueira, secretaria e salas dos grupos Culto Infantil e OASE.

ALTAR
O altar está dois degraus mais alto que os bancos. A mesa do altar é feita de madeira de canela envernizada e é coberta por uma toalha branca. Sobre o altar há um tampo de vidro, um arranjo de flores, uma bíblia, um crucifixo e três castiçais, um para cada vela, simbolizando a Trindade. Ao lado esquerdo da mesa do altar encontra-se a porta que dá acesso à sacristia.

CRUZ
A cruz localiza-se logo acima da mesa do altar, fixada na parede, e tem aproximadamente dois metros de altura. É feita de madeira de canela envernizada e não traz o Cristo crucificado, lembrando sua ressurreição. Seu significado contrasta e completa o significado do crucifixo sobre o altar, que quer lembrar o sofrimento e a morte do Filho de Deus pela humanidade.

PÚLPITO
O púlpito está à esquerda de quem fica de frente para a comunidade, na mesma altura do altar. É móvel, quadrado, feito em madeira de canela envernizada. Tanto o púlpito como o altar possuem paramentos que mudam de acordo com a época litúrgica do ano.

PIA BATISMAL
A pia batismal localiza-se à direita de quem está de frente para a comunidade. É móvel, com cerca de um metro e vinte centímetros de altura e feita em madeira de canela envernizada. Sua superfície tem formato octogonal e sobre ela há uma bacia aonde vai a água. A pia batismal, sempre visível, representa o sacramento do Batismo e quer relembrar à comunidade da graça recebida de Deus, motivando-a a viver seu Batismo todos os dias.

BANCOS
Os bancos são feitos de madeira de canela envernizada e estão dispostos em duas fileiras de frente para o altar. No total, são dezoito bancos, todos com genuflexório, que comportam aproximadamente noventa pessoas.

[HAACKE, Beatriz Regina. História do Templo e da Comunidade Evangélica Luterana de Lorena, Guabiruba/SC. 2007. Monografia de História da Igreja I - Faculdade de Teologia, Escola Superior de Teologia, São Leopoldo, 2007.]

Torres

A torre localiza-se na frente do templo, no centro e sobre a porta. Possui cerca de onze metros de altura. Seu corpo é retangular e seu formato final é piramidal. No alto da torre há uma cruz, indicando que esta é uma casa de oração, um local de culto a Deus. A torre lembra um dedo apontando para cima, respondendo a pergunta do Salmo 121: “Elevo os olhos aos montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra”.

[HAACKE, Beatriz Regina. História do Templo e da Comunidade Evangélica Luterana de Lorena, Guabiruba/SC. 2007. Monografia de História da Igreja I - Faculdade de Teologia, Escola Superior de Teologia, São Leopoldo, 2007.]

Sinos

O sino foi inaugurado em 23 de novembro de 1980, em culto solene ministrado pelo P. Valmor Weingärtner. O tema do culto foi o texto que se encontra em Jeremias 22.29: “Ó terra, terra, terra, ouve a palavra do Senhor”, lembrando a função do sino de convidar as pessoas a voltarem sua atenção à Palavra de Deus. No início, o sino ficava na frente do templo, ao lado da porta. Mais tarde, ele foi posto no interior da torre. Quando o sino ainda era batido manualmente, a comunidade podia saber do que se tratava – culto, casamento, sepultamento – através da maneira como ele tocava. Atualmente, o sino tem acionamento elétrico e toca sempre da mesma forma. É batido em cultos, no início e no final, e em outros acontecimentos da comunidade. O sino foi doado pelas famílias de Alfredo Missfeldt, Evaldo Missfeldt, Ida Missfeldt Rau, Elly Missfeldt Prust e Frida Missfeldt Fischer. No sino, há a inscrição: “Doação da família Missfeldt”.

[HAACKE, Beatriz Regina. História do Templo e da Comunidade Evangélica Luterana de Lorena, Guabiruba/SC. 2007. Monografia de História da Igreja I - Faculdade de Teologia, Escola Superior de Teologia, São Leopoldo, 2007.]

Obreiros e obreiras

Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Martim Lutero).