Sínodo Teuto-Evangélico da Província do Rio Grande do Sul (1868-1870/1875)
SÍNODO TEUTO-EVANGÉLICO DA PROVÍNCIA DO RIO GRANDE DO SUL
A grande maioria do protestantismo, sobretudo aquele que se estabeleceu nas primeiras décadas, se caracterizava pela "auto-organização" o que redundou no sentimento de independentismo: a igreja termina nos limites geográficos da comunidade1.
Este caráter começou a mudar com a vinda do P. George Hermann Borchard (1823-1891) a São Leopoldo/RS em 1864. Borchard havia atuado nos EUA entre 1854 e 1861 onde conheceu o funcionamento do Sínodo Geral Luterano na América do Norte. Ao Brasil, fora enviado pelo Conselho Superior Eclesiástico de Berlim (CSEB) a pedido das comunidades de Lomba Grande e São Leopoldo/RS, após o falecimento de seu P. August Wilhelm Klenze (1805-1861)2.
Borchard já veio ao Brasil com o objetivo de fundar um sínodo. Uma primeira idéia de um trabalho mais estreito entre as comunidades, contudo, já havia surgido em 1856 em Porto Alegre quando a comunidade local, em sua assembléia, encarregou a diretoria para que convidasse todos os pastores evangélicos do RS para se unirem num consistório a ser criado na próxima Festa do Dia da Reforma3. A rigor, pode-se observar três modelos diferentes de organização o protestantismo teuto-evangélico:
1) O caminho da Igreja Estatal: este modelo foi proposto, de forma mais clara, pelas comunidades de São Leopoldo e Lomba Grande, tendo o P. Wilhelm Rotermund (1843-1924) à sua frente. Isso ocorreu em 1885. A idéia era criar um Consistório constituído por 3 pastores, 2 leigos e um representante do governo. A idéia era que este consistório averiguasse a capacitação de pastores, supervisionasse a escolha dos mesmos, a ordem das comunidades e o exercício do ministério por parte dos pastores podendo revogar inclusive as nomeações. Fica muito claro que se tratava de um consistório claramente para fazer frente aos "pastores não ordenados"4.
2) Subordinação de Comunidades Avulsas CSEB (Conselho Superior Eclesiástico Evangélico de Berlim): Várias comunidades, iniciando em 1843 com a comunidade do Rio de Janeiro, se filiaram ao CSEB durante o século XIX. Este caminho foi tomado de forma maciça quando a Lei Eclesiástica da Igreja Territorial da Prússia de 7 de maio de 1900 entrou em vigor, prevendo, para as comunidades filiadas, o envio de pastores por parte do CSEB e aposentadoria para os pastores5.
3) Conferências Pastorais (Fase Preliminar à Fundação de Sínodos):
3.1 - Já na primeira metade da década de 1860, ocorreram conferências pastorais por iniciativa dos pastores enviados por Basiléia. Estas cessarão quando, por volta de 1874, muitos missionários deixaram o Brasil6.
3.2 - No RS ocorreram conferências pastorais a partir de fevereiro de 1866 quando, outros pastores haviam sido enviados. Em 1868 estas conferências resultaram na fundação do Sínodo Evangélico Alemão da Província do Rio Grande do Sul, ocorrido nos dias 10 e 11 de fevereiro de 1868. Nesta data George Hermann Borchard conseguiu reunir nove obreiros e presbíteros para discutir a formação de um Sínodo. Os obreiros que fizeram parte desta reunião foram George Hermann Borchard, Hermann Jacob Bergfried, Johann Friedrich Brutschin, Johann Peter Christian Haesbert, Heinrich Wilhelm Hunsche, Robert Kröhne, Johann Friedrich Wilhelm Kleingünther, Christian Smidt e Johannes Stanger, representantes das comunidades de São Leopoldo, Hamburgo Velho (Hamburgerberg), Picada 48, Santa Cruz, Ferraz, Nova Petrópolis, Dois Irmãos (Baumschneiss) e Taquara do Mundo Novo. O P. Borchard se tornou presidente do Sínodo, Wilhelm Klengünther, secretário, Friedrich Haesbaert, assessor, Hermann Bergfried, também assessor, Carl Grovermann se tornou tesoureiro e Heinrich Wilhelm Stahl, inspetor. O indeferimento pelo CSEB da filiação do Sínodo à Igreja Territorial Evangélica da Prússia desgostou Borchard que retornou à Alemanha no início da década de 1870. O Sínodo foi presidido de 1870 a 1873 pelo P. Wilhelm Kleingünther (1837-1910) de Porto Alegre, e de 1873-1875 pelo P. Carl Friedrich Wegel (1830-1904), de São Leopoldo. Contudo, desde 1870, o sínodo não mais havia se reunido em assembléia. O mesmo deixaria de existir oficialmente em 18757.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FISCHER, Joachim. A Luta Contra os Pastores-Colonos no Rio Grande do Sul no Século XIX In: ______ (org.). Ensaios Luteranos; dos primórdios aos tempos atuais do luteranismo no Brasil. São Leopoldo: Sinodal, 1986. p. 33-52. (História da Igreja - IECLB, 3)
PRIEN, Hans-Jürgen. Formação da Igreja Evangélica no Brasil; das comunidades teuto-evangélicas de imigrantes até a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis, 2001. 581 p.
SCHRÖDER, Ferdinand. Brasilien und Wittenberg; Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien. Berlin/Leipzig: Walter de Gruyter, 1936. 418 p.
WACHHOLZ, Wilhelm. "Atravessem e Ajudem-nos"; a atuação da "Sociedade Evangélica de Barmen" e de seus obreiros e obreiras enviados ao Rio Grande do Sul (1864-1899). São Leopoldo: EST/Sinodal, 2003. 657 p.