Sínodo do Brasil Central (1912-1968)
Autor: Wilhelm Wachholz
RESUMÉ
A) Designações do Sínodo
Sínodo das Comunidades Evangélicas Alemãs do Brasil Central (1912-????)
Sínodo Evangélico do Brasil Central (1948-????)
1.
B) Periódicos Oficiais
C) Estatísticas
1) Pastores:
Em 4 de fevereiro de 1918: 12 (1 vacância)
2
2) Comunidades Paróquias Famílias Pessoas
Por volta 1938 16 25 mil
5
1948 15 50 mil6
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1.0 – HISTÓRIA
1.1 – A Fundação do Sínodo
A realidade das comunidades no centro do país era ainda mais de isolamento, se comparadas às do sul do Brasil, especialmente devido às distâncias. Além disso, a característica de cada uma delas era bem particular. Assim, as comunidades metropolitanas de
São Paulo/SP,
Rio de Janeiro/RJ e
Santos/SP se constituíam basicamente de comerciantes, mantidas por núcleos de alemães do “
Reich” às quais se associavam teuto-brasileiros.
Juiz de Fora/MG e
Petrópolis/RJ eram originalmente comunidades coloniais que, por falta de novos imigrantes, acabaram absorvidas por Igrejas de fala portuguesa.
Rio Claro/SP e
Campinas/SP eram comunidades de colonos de cidades pequenas. Somente no
Espírito Santo pode-se encontrar comunidades teuto-evangélicas com alguma coesão mais profunda
7.
O primeiro impulso para a fundação de uma
Conferência Pastoral surgiu pelo enviado do Conselho Superior Eclesiástico de Berlim (CSEB), P. Dr. Martin
Braunschweig. Para o Espírito Santo, Braunschweig recomendou a fundação de uma conferência própria devido a situação mais coesa e de proximidade das comunidades. Assim, surgiu lá, em junho de 1907, a
Conferência Pastoral em Porto Cachoeiro, com os quatro pastores enviados e ligados ao CSEB. O P. Ernst
Schüler (nasc. 1874), de Califórnia, foi escolhido o presidente por ser o pastor com mais tempo de serviço. Este “núcleo” viria a fundar o Sínodo juntamente com o “núcleo” dos outros Estados do centro do país
8.
Este outro “núcleo” foi preparado por Braunschweig em conjunto com o P. Wilhelm
Teschendorf (nasc. 1876), de São Paulo, e o P. Ludwig
Hoepffner (1875-1941), do Rio de Janeiro. Na verdade, estes passos foram primeiramente fundamentais para a criação de uma conferência pastoral. A primeira conferência ocorreu em 1909 em São Paulo e a segunda em outubro de 1910 no Rio de Janeiro onde estavam presentes seis pastores:
Hoepffner, do Rio de Janeiro/RJ, Walter
Leesch (1891-1919), de Petrópolis/RJ, Fritz
Bliedner (nasc. 1883), de Juiz de Fora/MG, Johannes
Josten (nasc. 1883), de São Paulo/SP, Theodor
Koelle (nasc. 1864), de Rio Claro/SP e
Schüler, de Califórnia/ES
9.
Uma terceira conferência aconteceu em dezembro de 1911 em Petrópolis, com a presença de sete pastores, quando se decidiu pela realização do “
Pré-Sínodo no Rio de Janeiro” que viria reunir-se em 28 a 30 de junho de 1912. Esta data marca a fundação do sínodo
10.
Na fundação do Sínodo estiveram representadas dez comunidades. Em 1916 eram as seguintes comunidades: Califórnia/ES, Campinho/ES, Santa Leopoldina I/ES, Santa Leopoldina II/(Jequitibá)ES (esta filiação ocorrida em 1914), Rio de Janeiro/RJ, Petrópolis/RJ, Juiz de Fora/MG, Campinas/SP, Rio Claro/SP, São Paulo/SP e Santos/SP
11.
1.2 – Da Primeira Guerra Mundial até o Início da Década de 1930
A
ruptura das relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha (14/04/1917) suscitou pessoas a atacarem o patrimônio alemão e teuto-brasileiro, especialmente em São Paulo, e Rio de Janeiro. Com a declaração de guerra do Brasil contra a Alemanha (20/10/1917), no início de novembro de 1917, uma multidão em fúria atacou o mobiliário das escolas em Rio Claro. Embora por volta de maio de 1918 a situação tivesse melhorado, no Distrito Federal (Rio de Janeiro) e São Paulo foi decretado estado de sítio
12. De outro lado, o culto em língua alemã foi novamente permitido em muitos lugares antes do fim da guerra, como, por exemplo, nas cidades de São Paulo e Petrópolis
13.
A realidade das comunidades no Sínodo do Brasil Central eram bem heterogêneas. Comerciantes e profissionais alemães viviam em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Santos. No interior de São Paulo e Minas Gerais, a língua alemã não teria muito futuro. Sobre as comunidades teuto-evangélicas do Espírito Santo, o representante permanente Braunschweig chegou a recomendar em 1918 que fossem cedidas para a
Caixa Luterana/Sínodo Evangélico-Luterano em troca de concessões em Santa Catarina. Sugeriu também que se negociasse com os presbiterianos para que, a longo prazo, assumissem as comunidades de Teófilo Otoni/MG, Juiz de Fora/MG e Campinas/SP
14.
Uma das grandes discussões do pós-Primeira Guerra Mundial no Sínodo foi a questão da preservação da língua alemã, ameaçada em diferentes lugares. De outro lado, a inserção do Sínodo no contexto brasileiro foi bastante retardada pelo fato de os pastores enviados da Alemanha não dominarem a língua portuguesa
15. Ainda na década de 1930, a discussão sobre o uso da língua vernácula pautou as discussões. Embora ainda se salientasse que prédicas em língua portuguesa deveriam ser somente “ofertas adicionais”, paulatinamente se assistiu a introdução do português no culto
16.
Em 1926, ocorreu em Curitiba uma primeira Conferência de Presidentes dos Sínodos do
Brasil Central e
Evangélico-Luterano para discutir a relação entre ambos. Após um acordo, o Sínodo do Brasil Central repassou ao Sínodo Evangélico Luterano as comunidades situadas nas regiões baixas do Espírito Santo. O Concílio do Sínodo do Brasil Central em 1930 decidiu, depois de acordado com o Sínodo Evangélico-Luterano, re-filiar a comunidade de Leopoldina I/ES – que passara a ser assistida por pastor do Sínodo Evangélico-Luterano em 1921 – e homologar a transferência da comunidade de Guandu/ES para o Sínodo Evangélico-Luterano
17. No início da década de 1930, caracterizou-se a relação entre ambos os sínodos como satisfatória
18.
O Sínodo não se filiou à FEEA como corporação eclesiástica. A exemplo da
Associação Evangélica de Comunidades, as comunidades (todas!
19) isoladamente se filiaram à Igreja Evangélica Alemã (FEEA), após aprovação do Concílio Sinodal em 1935. A filiação seria concretizada em 1° de abril de 1936. Com isso, a competência da assistência ao Sínodo passou definitivamente do CSEB para a Igreja Evangélica Alemã
20.
1.3 – A Ideologia do Germanismo da Década de 1930
O presidente do sínodo P.
Hoepffner saudou entusiasmo o etnicismo-nacionalista reconhecendo que “\’o
Führer deu um testemunho claro e insofismável de sua fé no cristianismo positivo\’”.
21 Para o presidente “com Deus e com Cristo” significava apoiar o Estado nacional-socialista. De outro lado, via na Igreja Confessante um obstáculo para a unidade do protestantismo alemão. Em resumo, ante o
Kirchenkampf, Hoepffner não compreendeu que a Igreja Confessante não desejava simplesmente uma repetição dos Escritos Confessionais da Reforma, mas defendia as conseqüências da confissão cristã naquele contexto específico na relação de Igreja e Estado
22. Prien conclusivamente afirma:
O dilema do entrelaçamento de Evangelho e etnismo [levou a que] [...] os sínodos de imigração consideravam o trabalho etnista como elemento irrenunciável de seu trabalho. [...]
Com isso, o Evangelho estava amarrado não apenas ao etnismo, e, sim, adicionalmente, à ideologia nacional-socialista [...]. Como aqui a Igreja ainda era considerada aliada do PTNSA [NSDAP23], certamente a maioria dos pastores sequer entendeu o dilema nem percebeu que a Igreja era considerada pelo Partido tão somente como aliada tática. [...] Portanto, onde teria sido necessária uma discussão teológica, aceitava-se, com prazer, a ajuda do Partido no espírito do antiamericanismo étnico-alemão. 24
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2.0 – A CONFESSIONALIDADE
No contexto da Brasil Central, a confessionalidade já foi tematizada em 1867 pelos pastores enviados pela Sociedade Missionária de Basiléia (SMB) que, na ocasião, se reuniram, sob presidência do P. Karl
Wagner-Groben (1836-1886)
25, para constituir uma conferência com estatutos. Chama a atenção o que os referidos estatutos da conferência afirmavam a respeito da questão confessional:
§ 1 Membro da Conferência pode tornar-se, em princípio, todo pastor egresso da Casa de Missão de Basiléia, como também cada pastor teuto-evangélico no Brasil [....].”
26
“§ 2 O ponto de vista da Conferência de Pastores Evangélicos do Rio de Janeiro é o cristão-positivo e fundamenta-se sobre as Sagradas Escrituras do Velho e Novo Testamento, como estas encontram sua interpretação nos escritos confessionais na Igreja luterana e reformada, conquanto concordem nos pontos fundamentais da fé.
27
Os estatutos aprovados quando da fundação do
Sínodo Evangélico Brasil Central não contém clareza confessional. Estabeleceu-se (Art. 3º) somente que “este Sínodo tem seus fundamentos nas verdades reveladas na Escritura Sagrada e acha-se intimamente ligado às Igrejas da Reformação.”
28
Também não ocorreria uma reorientação confessional nos novos estatutos de 1949 que afirmam no capítulo I, artigo 2º: “Baseado nas verdades reveladas nas Escrituras Sagradas, novamente trazidas à luz pela Reforma, o Sínodo tem por fim robustecer o sentimento em todas as Comunidades, de serem membros da Igreja cuja cabeça é Jesus Cristo. O Sínodo é ligado espiritualmente à Igreja Mãe.” 29
{mospagebreak title=Presidentes e Vice-Presidentes}
3.0 – PRESIDENTES E VICE-PRESIDENTES
P. Ludwig Hoepffner 1912-1941
Prepósito Martin Marczynski [Interinamente]
P. Freyer [“mentor espiritual]; Sr. Benno
Kersten [presidente] 1942-1948
P. Karl Gräter 1948-1954
P. Wiemer 1954-1956
P. Begrich 1956-1962
P. Vath 1962-____30.
{mospagebreak title=Estatutos e Protocolos}
Clique aqui para ver os estatutos e protocolos referentes ao Sínodo Brasil Central.
{mospagebreak title=Galeria de fotos}
{mospagebreak title=Bibliografia}
BIBLIOGRAFIA
ARQUIVO HISTÓRICO DA IECLB. São Leopoldo/RS. [AHIECLB]
BEGRICH, Martin (Hrsg.) 1912 1962; Em Comemoração do 50.° Aniversário do Sínodo Evangélico do Brasil Central fundado em 28/30 de junho de 1912. São Paulo: Hugo Grobel, [1962]. 91 p.
DEDEKIND, [Max] (Hrsg.). Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 bis April 1937; Zur Hundertjahrfeier der “Evangelischen Gesellschaft” zusammengestellt. Barmen: Westdeutsche Druckerei, 1937. 32 p.
DOERZAPFF, Rodolfo Santos. Nosso Sínodo: Ontem, Hoje e Amanhã. Revista da Comunidade Evangélica Alemã do Rio de Janeiro. S.l., s.e., s.d., Ano 32, nº 9/10, p. 128-130. (AHIECLB, SBC 20/1)
GESCHAEFTSORDNUNG DER CONFERENZ EVANGELISCHER PASTOREN ZU RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro, 19/8/1867 (AHIECLB, SE 20/1 e SBC 17/4a).
PRIEN, Hans-Jürgen. Formação da Igreja Evangélica no Brasil; das comunidades teuto-evangélicas de imigrantes até a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. São Leopoldo: Sinodal; Petrópolis, 2001. 581 p.
SÍNODO EVANGÉLICO DO BRASIL CENTRAL – Estatutos. In: Diário Oficial, seção I, 9 jun. 1949 (AHIECLB, SL 5/3).