Colônia
Em 1861, a capital riograndense já tinha mais ou menos 25.000 habitantes. Em 1850, já havia de 2.000 a 3.000 habitantes alemães, em sua maioria comerciantes e operários. Destes, de 1.000 a 1.500 eram evangélicos1.
Procedência dos imigrantes
Os imigrantes eram de descendência alemã2.
História
A comunidade foi fundada a 17 de fevereiro de 1856 pelo pastor Wolfram e Philipp von Norrmann e, em 24 de fevereiro do mesmo ano, Erdmann Wolfram foi instalado como pastor3.
“Nas origens da Comunidade Evangélica de Porto Alegre encontramos praticamente o mesmo grupo, que, em 1858 fundara o ‘Deutscher Hilfsverein’, hoje (1981), funcionando sob o título ‘Associação Beneficente e Educacional de 1858’, mantenedora do Colégio Farroupilha. Entre os mesmos encontramos alguns maçons, o que explicará, certamente, o agir da Comunidade e do Hilfsverein em diversas ocasiões, notadamente, no que diz respeito ao espírito liberal reinante neste grupo”4.
Dedekind registrou que a primeira comunidade evangélico-alemã havia contratado como pastor um desertado sargento da Silésia, que quase assumiu, no início de 1858, o cargo de um carreteiro em Santo Ângelo. Através da intervenção do P. Dr. Borchard, o Conselho Superior Eclesiástico de Berlim enviou, em 1865, o P. Kleingünther a Porto Alegre5.
A eleição para um novo pastor trouxe muitas dificuldades, pois havia surgido um partido anti-prussiano que não queria se aliar ao Conselho Superior Eclesiástico de Berlim. Finalmente, em 28 de fevereiro de 1866, o P. Kleingünther foi enviado como pastor e, em abril de 1866, foi instalado na comunidade, permanecendo na mesma até 1873. Ele, por vezes, se queixava que a participação na Ceia era pequena, bem como nos cultos. O P. Kleingünther teve desavenças com a comunidade por ocasião da eleição de seu sucessor. O assunto inclusive gerou atrito com o então Sínodo Teuto-Evangélico da Província do Rio Grande do Sul. Em 5 de junho de 1872, ocorrera uma conferência pastoral em Hamburgo Velho, na casa do P. Haesbaert, da qual participaram os pastores Kleingünther, Wegel, Stanger, Haesbaert, Brutschin, Roos, Peters e Hunsche. Decidiu-se que o Sínodo não mais serviria a comunidade de Porto Alegre. A comunidade então decidiu eleger um “pastor liberal” para atuar na mesma. Assim, um comitê em Hamburgo se encarregou disso e enviou o P. Collmann. A comunidade imaginou que um pastor liberal se preocupasse menos com a fé evangélica e com uma vida cristã. Entretanto, o pastor era bem diferente disso e, por isso, ele passou a ser indesejado na comunidade. Ele permaneceu apenas até 1877, sendo substituído pelo P. Volkmar Köhler, que era professor particular em Porto Alegre. Mais tarde, ele foi sucedido pelo P. Carl Schäfer, que não era teólogo, mas se tornou muito querido pela comunidade que queria ordená-lo. Entretanto ele teve de deixar a comunidade em 1893 e foi sucedido pelo P. Schwarz. Este veio a falecer em 19146.
Por volta de 1912, a comunidade contava com cerca de 600 famílias. O “Deutsche Hilfsverein” financiava, desde 1858, o estudo de rapazes e moças, que eram conduzidos por professores capazes, que haviam sido enviados pela Associação Evangélica, dentre eles Bieri, Kleinkamp e Meyer7.
Em 1914 foi criado mais um pastorado, com sede no Bairro Navegantes. A comunidade havia se filiado ao Sínodo Riograndense e à Igreja Territorial da Prússia em 19118.
A comunidade evangélica de Porto Alegre era a maior do Rio Grande do Sul, compreendendo 1.594 famílias, totalizando cerca de 7.300 pessoas. Em 1926 foram realizados 141 batismos, 37 casamentos, 82 sepultamentos, 82 confirmações e 903 comungantes participaram da ceia. Instituíram-se meditações semanais e dominicais na comunidade. Os cultos para jovens eram freqüentados por 57 jovens e, em 1920, por 419.
Templos
Inicialmente os cultos eram realizados numa sala de orações na Rua Nova da Praia, mas logo a comunidade iniciaria a construção do templo. Em 8 de janeiro de 1865, o P. Dr. Borchard consagrou a igreja na Rua Senhor dos Passos, juntamente com o P. Recke de Campo Bom. A comunidade levantou um fundo para a igreja, que chegou a 72776 Milréis em 193110.
A consagração impressionou bastante a comunidade, bem como os católicos. A espiritualidade católica crescia de modo invejoso sobre sua então posição como igreja nacional e central no Brasil. Contra o cortejo até a igreja, previsto no programa da festa de consagração, os obreiros católicos levantaram um protesto ao diretor da polícia. O delegado permitiu o cortejo assim que o vice-cônsul prussiano estivesse certificado de que disso não se tencionava carregar o Santo Lutero, Santo Calvino ou o Santo Zwínglio em procissão, mesmo porque os protestantes não têm santos. Após o fim do culto veio um número de brasileiros vestidos decentemente à igreja, para a ver. A festa não foi interrompida de nenhuma forma, além de causar grande impressão aos brasileiros. Quando o crucifixo no latra foi visto, eles se ajoelharam e rezaram suas orações na igreja protestante. Agora eles também podiam crer que os protestantes também eram cristãos, o que até então eles duvidavam11.
A comunidade conseguiu realizar muitas coisas materialmente nos últimos tempos. Na introdução do P. K. se ofereceu presentes para embelezar a igreja e em 1867 toda a igreja ainda deixou suspenso em ações 7000 Milréis12.
Muitos da comunidade evangélica de Porto Alegre assistiram outras comunidades do estado e constribuíram na construção de igrejas nas colônias, sem que se pensasse nelas. Nos últimos anos um lindo e grande órgão foi trazido e instalado na igreja, o interior da igreja recebeu melhorias e foram colocados os sinos e o relógio a seu serviço. Isso certamente são encargos que testemunham o grande interesse que têm os membros da comunidade. Que este exemplo seja seguido por outros. O culto festivo no Domingo de manhã se passou de modo digno. Já antes do início do culto a igreja enfeitada com flores e ramos verdes estava lotada até o seu último lugar. O culto foi conduzido com canto coral de Schiller: “Holder Friede, süße Eintracht”. O pastor local, P. Schwarz, presidiu a liturgia, o P. Sinodal Dietschi conduziu o ato de consagração com a assistência do P. Dr. Rotermund e Pechmann e procurou ser tradutor do que os sinos queriam dizer à comunidade com suas inscrições. De modo preciso e belo foram conduzidos os hinos corais, em particular o magnífico “Ich bete an die Macht der Liebe” (eu oro ao poder do amor), bem como o canto solo da professora de canto, senhorita Brandt. Quando, ao soar os sinos e acordes do órgão, a comunidade festiva cantou, de pé, o conhecido canto “Nun danket alle Gott”, se podia ver lágrimas em alguns olhos e se podia sentir um pouco do que o salmista sentiu, quando ele falou: „Quão amáveis são as tuas moradas, Senhor dos Exércitos”. À noite, às 19:00, teve início, na igreja, mais um culto festivo. Se de manhã mal havia um espaço vazio na igreja, assim também aconteceu à noite. O coral da igreja alegrou novamente com seus melhores cantos e a senhorita Protzen também se apresentou com um canto solo acompanhado de instrumento musical. Na pausa intermediária, os pastores presentes proferiram pequenos discursos. O senhor P. Schwarz falou sobre sua experiência durante os 30 anos de atuação, em particular dos que estavam em relação com a comunidade de Porto Alegre, lembrando de honrosos membros já falecidos de Porto Alegre que serviram à comunidade e à germanidade. Que a comunidade permaneça assim e que a comunidade evangélica de Porto Alegre, que tanto realizou na região pela igreja e escola, seja um exemplo e não permaneça quieta em seu trabalho. Ainda há muito a fazer. Porto Alegre se tornou uma grande cidade que coloca bastante exigências; aqui surgem necessidades sociais e prejuízos, também nas colônias – e graças a Deus – não faltam os homens de negócios e operários que têm seu coração no correto lugar e se colocam à disposição. Disso dá provas a história da comunidade, principalmente nos últimos anos13.
“A história da Comunidade Evangélica de Porto Alegre e da Igreja Matriz se confundem. Até 1915 eram a mesma coisa, pois só neste ano surgiu a Igreja da Paz e só em 1931 a Igreja Martin Luther. Nove anos após a fundação da Comunidade foi construído, em 1865, o primeiro templo, a casa de oração, substituído depois pela “Christus-Kirche” (Igreja de Cristo) e em 1970 foi consagrada a “Igreja da Reconciliação”. Este nome, portanto, é recente e só aos poucos se torna popular”14.
Em 21 de junho de 1914 a Associação Alemã lançou a pedra fundamental de seu hospital. A guerra interrompeu as construções e, por isso, o hospital só pôde ser inaugurado em 1928. Ele ficou a cargo da diaconisa Irmã Sophie Zink15.
Em 1922 um incêndio destruiu a sacristia. Em outubro do mesmo ano ampliou-se a abside do templo e a igreja reformada pôde ser consagrada. Na entrada da igreja encontram-se as palavras: Jesus Cristo ontem, hoje e na eternidade16.
Torres
Sinos
A comunidade evangélica de Porto Alegre comemorou, no último Domingo 30 de julho de 1902, a festa de consagração do sino. Três suntuosos sinos, fundidos em Bochum, soaram pela primeira vez sobre o mar da cidade com os tons harmoniosos destes belos sinos. Esse era um outro soar do que aquele que até então se estava acostumado a ouvir em Porto Alegre e certamente muitos moradores, cujo berço está na Alemanha, sentiram neste primeiro soar um pedaço de saudade de sua pátria. Com os sinos veio, ao mesmo tempo, um belo relógio, que também encontrou espaço na torre. Mais ou menos em um ano a bela torre estava pronta e consagrada19.
O pequeno sino trazia a inscrição: “Glória seja a Deus nas alturas”, o do meio, que está ligado ao relógio: “Jesus Cristo ontem e hoje e o mesmo na eternidade” e o grande sino: “Tudo que tem vida, louve ao Senhor”. O senhor Dr. Rotermund pregou sobre a palavra que está no sino do meio em letras douradas sobre o portal da igreja: “Jesus Cristo, ontem, hoje e o mesmo na eternidade” e mencionou que, mesmo apesar de toda a inimizade e ódio do mundo, Cristo é seu Senhor e o será. Nossas comunidades só podem crescer e florir se Ele permanecer a estrela e o ponto central20.
Em 1905 a comunidade adquiriu os três sinos. Em 1926 chegou mais um quatro sino21.
Bibliografia
Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg.
GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen.
Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika.
STRÜSSMANN, Roland. 125 Anos CEPA - 1856-1981.
Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika.
AEDS 1869.
Sonntagsblatt für die evangelischen deutschen in Amerika, 19. Jahrgang, n. 7.
BRASILIANISCHE Rundschau. Turmweihen in Rio Grande do Sul. Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 40, p 95, 1902.
Obreiros e obreiras
Que atuaram na paróquia (Comunidade Evangélica de Porto Alegre).
Fotos (15)
Notas e fontes
- 1. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 98.
- 2. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 98.
- 3. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 98; GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 15. Veja ainda Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 35.
- 4. Cf. STRÜSSMANN, Roland. 125 Anos CEPA - 1856-1981, p. 4.
- 5. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 35.
- 6. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 99s.
- 7. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 41s.
- 8. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 100.
- 9. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 100s.
- 10. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 41 ; GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 15. Veja ainda Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 35s.
- 11. Cf. AEDS dezembro 1866, p. 3s; AEDS, 1869, p. 7s.; AEDS, 1871, p. 5; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 35. Veja também Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 99.
- 12. Cf. AEDS 1869, p. 7.
- 13. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen deutschen in Amerika, 19. Jahrgang, n. 7, p. 27.
- 14. Cf. STRÜSSMANN, Roland. 125 Anos CEPA - 1856-1981, p. 7.
- 15. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 101.
- 16. Cf. GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 15.
- 17. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 41 ; GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 15. Veja ainda Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 35s.
- 18. BRASILIANISCHE Rundschau. Turmweihen in Rio Grande do Sul. Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 40, p 95, 1902.
- 19. Sonntagsblatt für die evangelischen deutschen in Amerika, 19. Jahrgang, n. 7, p. 27.
- 20. Sonntagsblatt für die evangelischen deutschen in Amerika, 19. Jahrgang, n. 7, p. 27.
- 21. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 41 ; GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 15. Veja ainda Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 35s