Colônia
A colônia foi fundada em 18191 sendo considerada a colônia de fala alemã mais antiga no Brasil2. O rei João VI de Portugal deixara construir, em Morro Queimado, uma casa para abrigar os imigrantes. Em 1819 entre 1.682 e 1700 suíços, em sua grande de fala francesa, foram trazidos à custa do governo ao Brasil. No entanto, a maioria deixou a região infrutífera, rochosa e perto da floresta e se separou. Assim, para substituí-los, buscaram-se mais 334 alemães de Hessen chegados em 3 de maio de 1824. Os imigrantes eram originários da comunidade de Kirnbecherbach, em Meinenheim, que vieram acompanhados do P. Friedrich Oswald Sauerbronn, nomeado pelo rei Dom Pedro I3. As promessas e garantias de terra e moradia dadas aos imigrantes quando ainda na Europa visando atraí-los para o Brasil não foram cumpridas por parte do governo4. O destino inicial deste grupo deveria ser a colônia de Frankenthal, na Bahia, mas por determinação de Dom Pedro I, os imigrantes foram estabelecidos em Nova Friburgo, pois, esta colônia, até então habitada por suíços, “estava na iminência de fracassar”5.
Procedência dos imigrantes
Os imigrantes eram de origem Suíça francesa (1819); outros provinham de Hessen (1824)7. Entre os imigrantes vindos em 1824, 110 provinham de Kirnbecherbach, Oberamt Weissenheim em Hessen-Hamburgo8.
História
A Comunidade Evangélica de Nova Friburgo é a mais antiga das atuais comunidades da IECLB. Em 3 de maio de 1824 chegaram em “Morro Queimado” 334 imigrantes alemães acompanhados pelo P. Friedrich Oswald Sauerbronn9.
Os primeiros cultos foram celebrados numa pequena casa na esquina da Rua São Clemente com a Praça Marcílio Dias. Dez dias depois da chegada, a comunidade já foi confrontada com o primeiro óbito. Tratava-se do filho do pastor Sauerbronn, Peter Leopold, nascido na região das Ilhas de Cabo Verde, onde a mãe também falecera. A não permissão para que o sepultamento ocorresse no cemitério local (católico!), exigiu que se fundasse um cemitério protestante, o que ocorreu com o sepultamento daquela criança em 14 de maio de 1824. A primeira bênção matrimonial ocorreu em 30 de maio de 1824 e o primeiro batismo em 6 de junho do mesmo ano10.
O P. Sauerbronn faleceu em 4 de dezembro de 1864, após 60 anos de atuação pastoral, dos quais 40 em Nova Friburgo. Ele foi sepultado no cemitério evangélico ao lado de sua família e de outros membros da comunidade local11.
Desde 1861, Johann Caspar Meyer, jovem teólogo suíço, atuava pastoralmente em Nova Friburgo. Meyer havia chegado ao Brasil em 1854, tendo atuado no comércio em Petrópolis e Carmo. Desde 1860 atuava como professor no Colégio Freeze na Praça 1º de Março. Em 1º de junho de 1864, Meyer foi eleito pelo presbitério como sucessor de Sauerbronn. Paulatinamente, o trabalho pastoral foi se expandindo para Amparo, José de Ribeirão, Lumiar, Macaé de Cima, Sessenta e Um, Côrrego D’Antas, Boca do Mato, Bom Jardim, Cantagalo até Santa de Rita do Rio Negro12.
A partir de 1876, passou-se a usar a língua portuguesa para celebrações no templo de Nova Friburgo, continuando-se com o uso da língua alemã em celebrações de cultos nos distritos. Em 18 de setembro [de 1876?] pôde-se inaugurar o novo templo de São José de Ribeirão13.
Meyer teve assento na Câmara Municipal entre os anos de 1885 e 1890, vindo inclusive a ocupar a presidência da mesma entre 1885 e 1887. Em 1900 foi eleito juiz de paz. Ele faleceu em 16 de abril de 1906, sendo sepultado no cemitério evangélico de Nova Friburgo. Alberto Meyer, filho de Johann Caspar, após ter estudado teologia no Seminário Presbiteriano em Nova Friburgo, estudos que não pôde concluir devido à transferência do seminário para Campinas, foi considerado “líder dos luteranos”, sucessor do trabalho do pai, embora não realizasse ofícios eclesiásticos. Em 1911 ele seria nomeado fiscal de imposto de consumo. Nesta situação, a comunidade local parecia ter se desintegrado. Famílias como Meyer, Engert, Carpentier, Heckert, Emmerich, Schwab, Schwenck e Brust passaram a freqüentar cultos na comunidade presbiteriana sem, contudo, abdicar a fé luterana. Outras famílias, como Hölz, Klein e Peters, esperaram por definições enquanto ainda outras se tornaram espíritas, católicas ou se afastaram de uma vida comunitária ativa14.
Nesta situação ocorreu uma segunda onda de imigração em Nova Friburgo. Em 21 de setembro de 1911, o P. Ludwig Hoepffner, do Rio de Janeiro, foi à Nova Friburgo para batizar um filho do diretor da Fábrica de Rendas, Erwin Kappel, de propriedade do conselheiro Julius Arp, fundada naquele mesmo ano. A partir de então, Hopffner passou a visitar a comunidade local três a quatro vezes ao ano para pregar e celebrar ofícios eclesiásticos. Em 1912, foi fundada a fábrica Ypú, por Maximilian Falck, o que atraiu pessoas evangélicas. Durante a Primeira Guerra Mundial, marinheiros de navios alemães foram presos e levados para Nova Friburgo, os quais, posteriormente, permaneceram na cidade. Mais tarde, Otto Siems fundou a fábrica Filó. Seguiram-se as fundações de outras fábricas, hotéis e casas de veraneio, os quais atraíram funcionários evangélicos, resultando no crescimento também da comunidade15.
Em 1º de fevereiro de 1937, Johannes Eduard Schlupp assumiu o pastorado da comunidade, dando início à uma nova fase na história da mesma. A comunidade novamente se tornou autônoma e, como tal, se filiou ao Sínodo do Brasil Central. O templo e o cemitério foram reformados e embelezados. Reiniciaram-se os cultos dominicais em Amparo São José do Ribeirão, Riograndina e Rio Grande de Cima16.
Em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, o delegado local dissolveu a escola e proibiu os cultos e todos os ofícios religiosos na comunidade em 1942, os quais foram novamente permitidos a partir de 194517.
No dia 4 de fevereiro de 1962, às 19 horas, a comunidade evangélica de Nova Friburgo celebrou, em culto, os 25 anos de atuação do P. Johannes Eduard Schlupp, bem como os 25 anos em que a comunidade voltou a ser sede pastoral. A prédica foi proferida pelo P. Presidente do Sínodo do Brasil Central, Begrich, de São Paulo18.
Templos
Torres
Sinos
O Sínodo do Brasil Central e as comunidades irmãs de São Paulo e Rio de Janeiro doaram três sinos à comunidade que os pôde colocar na torre do templo construído em 195224.
Bibliografia
SCHL.[UPP], J.[ohannes]. Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo. In: BEGRICH, Martin (Hrgb.) 1912 1962; Em Comemoração do 50.° Aniversário do Sínodo Evangélico do Brasil Central fundado em 28/30 de junho de 1912. São Paulo: Hugo Grobel, [1962]. p. 22-25.
Sínodo Evangélico do Brasil Central. Boletim Informativo, n.16. Rio de Janeiro, 1º/06/1964. (AHIECLB – SBC 20/1)
SCHRÖDER, Ferdinand. Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien. Berlim/Leipzig: Walter Gruyter & Co, 1936.
DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, [1932].
Obreiros e obreiras
Que atuaram na paróquia (Comunidade Evangélica Luterana de Nova Friburgo).
Fotos (3)
Notas e fontes
- 1. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 9.
- 2. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 317.
- 3. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 317 e Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 10.
- 4. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 318.
- 5. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 22.
- 6. DIE ERSTE DEUTSCHE EVANGELISCHE GEMEINDE IN BRASILIEN: NOVA FRIBURGO, STAAT RIO DE JANEIRO. Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 64, p. 17, março-abril 1926
- 7. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 9.
- 8. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 317s.; Die 15. Ordentliche Synodaltagung der Mittelbrasilianischen Synode in São Paulo 1959, p. 6s.
- 9. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 22; Sínodo Evangélico do Brasil Central. Boletim Informativo, n.16, p. 1.
- 10. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 22.
- 11. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 23.
- 12. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 23.
- 13. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 23.
- 14. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 23s.
- 15. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 24.
- 16. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 24.
- 17. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 24.
- 18. Cf. FESTGOTTESDIENST.
- 19. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 318.
- 20. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 23.
- 21. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 10.
- 22. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 24.
- 23. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 23.
- 24. Cf. J.[ohannes] SCHL.[UPP], Resumo da história da Comunidade Evangélica Lutherana de Nova Friburgo, p. 24.