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IECLB História Acervo histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Comunidade

Comunidade Evangélica de Taquara

Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Taquara · Taquara – RS

Colônia

A colônia privada de Mundo Novo foi fundada em 1846, quando um comerciante chamado José Tristão Monteiro adquiriu um pedaço de terra ao oeste de São Leopoldo. Posteriormente, as colônias foram vendidas por 300 Milréis aos imigrantes. Os moradores que colonizaram as picadas eram, em Taquara: Bahn, Ebeling, Korndörfer, em Santa Rosa: Becker, Müller, Hennemann, Lamm, Breyer, em Santa Maria: Ritter, Krummenauer, Michels, Kellermann, Würsch, Werres, Krupp, Dienstmann, Schirmer, em Fortaleza: Hirt, Spindler, Waschbauer, Steier, Damer, Huf, Eberts, Gauer, Ludwig, em Estação Santa Maria: Grings, Lipp, Schuh, Eckart, Zorn, em Lappland: Robinson, Petry, Ludwig, Sander, Ruppental, Volkert, Kulmann, Jürgensen e em Judengasse: Schäfer, Krötz, Müller, Jung, Strumpf, Kirsch, Rodenbusch, Kilz, Junken, Dreher. Em 1850 ocorreu um assalto de populações indígenas a uma família de colonos, que foi libertada mais tarde. No mesmo ano, a população na colônia era de 400 pessoas. Em 1854, o número aumentou para 579 pessoas, em 1855 para 600, em 1858 para 710 (139 famílias) e, em 1859, para 1.005 pessoas1.

História

A paróquia se constituía de 3 comunidades principais, Taquara, Santa Maria do Meio e Santa Maria Alta, além das filiais Pinhal zu Taquara e Rio da Ilha2. Inicialmente os pastores Recke e Haesbaert, de Campo Bom e Hamburgo Velho, respectivamente, assistiram a comunidade. A relação entre os pastores, contudo, era conflitiva. Como primeiro pastor próprio da comunidade foi nomeado o alfaiate Christoph Schäfer, que era professor na comunidade. Entretanto, algumas famílias se mantiveram ligadas e eram assistidas pastoralmente pelo P. Haesbaert. Essa situação foi acompanhada de muitas brigas, intrigas e inimizades3.
Em 10 de maio de 1868, depois de ordenado pelo P. Borchard por recomendação do Conselho Superior Eclesiástico de Berlim, o P. Robert Kröhne foi instalado nas funções pastorais. Ao que parece, P. Kröhne caiu sob influência de Haesbert, assumindo ambos uma posição dúbia em relação ao Sínodo Teuto-Evangélico da Província do Rio Grande do Sul. Em 1869 o P. Kröhne noticiou que em Mundo Novo reinava selvageria, com casos de alcoolismo e adultério. O hinário da Baviera havia sido substituído pelo hinário berlinense. Em 1º de março de 1870, Kröhne se transferirira para Curitiba4.
O dia 10 de maio de 1868, dia no qual Kröhne foi ordenado pastor na comunidade é considerado de fundação da comunidade, pois marcou a atuação na comunidade pelo primeiro obreiro ordenado5.
Em 1869 cada pessoa da comunidade pagava 2 Milréis para um batismo, 3 Milréis em caso de batismo na casa dos pais, 3 Milréis para uma confirmação, 4 Milréis para bênção matrimonial – se a mesma fosse oficiada na casa dos noivos, 5 Milréis –, e 3 Milréis em caso de sepultamentos. Em 1869 foram realizados 29 batismos, 29 confirmações, 2 casamentos e 4 sepultamentos, além de 40 celebrações da Ceia6.
Em 17 de dezembro de 1871, o P. Roos foi instalado nas funções pastorais na comunidade. Com a saída do P. Kröhne, o P. Borchard havia visitado a comunidade com o intuito de reuni-la novamente. A condição imposta foi de que as 120 famílias que compunham a comunidade recebessem um novo pastor7.
Logo após o seu envio, o P. Roos se viu entre dois grupos na comunidade, que, segundo ele, estavam distantes de uma vida com Deus. Um grupo lhe fazia forte oposição, tratando-o com suspeitas e ressalvas. Considerava que o Catecismo Renano era católico por serem as perguntas e ditos acompanhados de uma cruz. O Sínodo Teuto-Evangélico da Província do Rio Grande do Sul era considerado uma inquisição, que decidia sobre a fé e as pessoas. Alguns achavam que o pastor era um jesuíta enviado pela Europa. Com o tempo, entretanto, o grupo contrário foi enfraquecendo de forma que, no domingo depois da Páscoa de 1872, o templo de Igrejinha pôde se tornar local de cultos oficiados pelo P. Roos8.
Durante o pastorado de Roos surgiu em toda colônia um movimento religioso. As igrejas estavam cheias, muitas vezes, completamente lotadas. O número de cultos com Ceia aumentou de forma que, de 200 comungantes, passou-se para 500 em Pentecostes de 1872. Em dezembro de 1872, um quarto das pessos católicas havia se convertido ao protestantismo9.
Em março de 1872, decidiu-se que: 1) cada criança deveria ter freqüentado a escola pelo menos durante três anos para ser confirmada; 2) a confirmação deveria ocorrer no décimo terceiro ano de vida, sendo que o ensino confirmatório iniciava em 1º de abril e se estendia até 1º de outubro e, 3) a decisão última sobre assuntos relacionados a professores, escola e comunidade competia ao pastor10.
O P. Roos também exercia atividades médicas na comunidade. Entretanto o próprio Roos sofria de problemas na garganta. Em 18 de março de 1873, depois de haver se casado em 25 de fevereiro anterior, veio a falecer em São Leopoldo. Quando de seu sepultamento, muitos inimigos e até católicos, o acompanharam até ao cemitério. O P. Dr. Borchard chegou a escrever “Nós enterramos muitas esperanças para o desenvolvimento posterior do nosso trabalho com ele.”11
Apesar da oposição do grupo da comunidade que escolhera Schäfer como pastor (Schäferpartei) se estabeleceu entendimento, inicialmente em Taquara. Em dezembro de 1873, o P. Dietschi assumiu a comunidade e consagrou a “Igreja da Paz” em 18 de dezembro de 1874. Em 1892 Taquara se separou de Santa Maria, pois recebeu, na pessoa do P. Dr. Schumann, seu próprio pastor, que permaneceu até 190012.
Em 1877 foram realizados 17 batismos na comunidade e 5 sepultamentos. No ano de 1875, muitos se casaram na comunidade, pois com o casamento, os homens não precisavam servir ao exército13.
Depois de desentendimentos, a comunidade de Igrejinha se desmembrou da de Taquara em 1893. Enquanto o P. Dietschi continuou assistindo a comunidade de Taquara, a comunidade de Igrejinha foi assumida pelo P. Johannes Schumann14. Este seria sucedido pelo P. Hermann Kaselitz, enviado pela Sociedade Evangélica para os Alemães Protestantes na América, em março de 190115.
Por volta de 1912, ela era composta por 485 famílias. Desde 1911 estava filiada à Igreja Territorial da Prússia16.
A comunidade de Rio da Ilha se filiou à paróquia de Taquara em 1881 enquanto as comunidades de Santa Cristina do Pinhal e Rolante, em 1884. Em julho de 1900, o P. Schlieper assumiu o pastorado de Taquara. A comunidade possuía 160 famílias com 900 pessoas. Em 1921 Baixo Rolante, Alto Rolante, Entrepelado, Passo Ferreira e Rincão São João continuaram a pertencer à paróquia de Taquara. O P. Schlieper faleceu dia 23 de junho de 1919 e foi sucedido pelo P. Schulz17.
Em outubro de 1924, a comunidade de Parobé se filiou à paróquia de Taquara, com 80 famílias. Na época, a comunidade de Taquara tinha 367 famílias, Entrepelado 120, Pinhal 100, Santa Cruz do Pinhal 40. Entre os anos de 1924 a 1927, as comunidades de Pinhal e Santa Cruz do Pinhal havia assumido postura independente, filiando-se novamente à paróquia de Taquara neste ano18.
Em 1899, mencionou-se que, como livros eclesiais, estavam em uso o livro de cultos da Igreja de Württemberg, o hinário da Renânia e Westfália – antigamente estava em uso o de Berlim – o catecismo o de Martim Lutero, conforme a edição do Dr. Rotermund. O livro de edificação espiritual mais divulgado de orações de Friedrich. Starcke. Havia uma pequena biblioteca, que, no entanto, era insuficiente. Com o dinheiro arrecadado com colheitas não entrava o bastante para que se pudesse investir na ampliação da biblioteca. O jornal “Sonntagsblatt” para as comunidades evangélicas no Brasil, editado pelo P. Dohms em Sapiranga ao encargo do Sínodo Riograndense, tinha considerável número de assinantes na comunidade. Observou-se a falta de utensílios para sacramentos, realidade comum em igrejas e comunidades da diáspora. Em especial faltavam altares dignos e paramentos para os mesmos. Uma comunidade filial nem teria utensílios para sacramentos e a comunidade de Rolante realizava cultos em casas particulares, faltavam também todos os utensílios para a igreja. Quanto auxílio e alegria poderiam ser concedidos por círculos e pessoas da Igreja mãe através da concessão de utensílios e paramentos simples, dignos e eclesiais19.

Templos

Durante a atuação do P. Carl Roos se deu a construção da “Igreja da Paz”, iniciada em final de junho de 187220. A celebração da colocação da pedra fundamental para a construção da Igreja ocorreu em 1873. A consagração da “Igreja da Paz” no dia 18 de janeiro de 1874, pelo P. Johannes Rudolf Dietschi21. A “Igreja da Paz” era utilizada como igreja e escola22. Em 1923 o templo foi reformado e ampliado23.
Em 1886, o P. Dietschi caraterizou as igrejas evangélicas como simples e sem pompa, a exemplo dos cultos. A ordem do culto, em geral, seguia a seguinte estrutura: hino, leitura da perícope, oração, prédica, novamente oração e canto, bênção24.

Torres

Em 1887 a comunidade construiu uma linda torre de alvenaria com 50 pés de altura que foi consagrada em 30 de novembro de 188725.

Sinos

Em 30 de novembro de 1887, a comunidade celebrou a consagração dos três novos sinos colocados na também nova torre do templo. Os sinos são de aço fundido, de Bochum. No sino grande estava inscrito: “Não sejam apenas ouvintes, mas também praticantes da Palavra!“ O segundo sino, o sino de oração, carregava a inscrição: “Paz seja convosco” e o pequeno sino, que conduzia o som das falecidas criancinhas ao cemitério, tinha a inscrição: “Teu filho vive!” O metal para os sinos fora doado pelo imperador alemão Guilherme I.26.

Obreiros e obreiras

Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Taquara).

Fotos (1)

Notas e fontes

  1. 1. Cf. Erster Synodalbericht der deutsch-evangel. Gemeinde zu Mundo Novo, von J.R. Dietschi Pfarrer daselbst an Sr. Hochehrwürden Herrn Dr. W. Rotermund São Leopoldo Sta. Maria do Mundo Novo, den 11. April 1886, p. 1. (AHIECLB, SR 1/3, 60); Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 46; AEDB (1878), p. 3; Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 92.
  2. 2. Cf. Erster Synodalbericht der deutsch-evangel. Gemeinde zu Mundo Novo, von J.R. Dietschi Pfarrer daselbst an Sr. Hochehrwürden Herrn Dr. W. Rotermund São Leopoldo Sta. Maria do Mundo Novo, den 11. April 1886, p. 1. (AHIECLB, SR 1/3, 60); Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 46.
  3. 3. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deuscht-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 44; Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 93.
  4. 4. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 93s.; AEDB (1878), p. 8.
  5. 5. Cf. Erster Synodalbericht der deutsch-evangel. Gemeinde zu Mundo Novo, von J.R. Dietschi Pfarrer daselbst an Sr. Hochehrwürden Herrn Dr. W. Rotermund São Leopoldo Sta. Maria do Mundo Novo, den 11. April 1886, p. 1. (AHIECLB, SR 1/3, 60); Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 46.
  6. 6. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 94.
  7. 7. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 94.
  8. 8. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 94; AEDS (1874), p. 17.
  9. 9. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 95.
  10. 10. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 95.
  11. 11. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 95.
  12. 12. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 46.
  13. 13. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 96.
  14. 14. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 45.
  15. 15. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 96.
  16. 16. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 46.
  17. 17. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 96s.
  18. 18. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 98.
  19. 19. Cf. EVANGELISCHEN GESELLSCHAFT FÜR DIE PROTESTANTISCHEN DEUTSCHEN IN AMERIKA, Der Deutsche Ansiedler, 37. Jahrgang, p. 27.
  20. 20. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsc-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 44.
  21. 21. Cf. EVANGELISCHEN GESELLSCHAFT FÜR DIE PROTESTANTISCHEN DEUTSCHEN IN AMERIKA, Der Deutsche Ansiedler, 37. Jahrgang, p. 27.
  22. 22. Cf. Erster Synodalbericht der deutsch-evangel. Gemeinde zu Mundo Novo, von J.R. Dietschi Pfarrer daselbst an Sr. Hochehrwürden Herrn Dr. W. Rotermund São Leopoldo Sta. Maria do Mundo Novo, den 11. April 1886, p. 3. (AHIECLB, SR 1/3, 60); AEDB (1878), p. 9s. Segundo Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 96, a Igreja da Paz teria sido consagrada a 18 de janeiro de 1874 e não a 18 de dezembro, conforme Dedekind.
  23. 23. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 96; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 48.
  24. 24. Cf. Erster Synodalbericht der deutsch-evangel. Gemeinde zu Mundo Novo, von J.R. Dietschi Pfarrer daselbst an Sr. Hochehrwürden Herrn Dr. W. Rotermund São Leopoldo Sta. Maria do Mundo Novo, den 11. April 1886, p. 3, 5. (AHIECLB, SR 1/3, 60)
  25. 25. Cf. EVANGELISCHEN GESELLSCHAFT FÜR DIE PROTESTANTISCHEN DEUTSCHEN IN AMERIKA, Der Deutsche Ansiedler, 37. Jahrgang, p. 27; Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 96; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 48.
  26. 26. Cf. Erster Synodalbericht der deutsch-evangel. Gemeinde zu Mundo Novo, von J.R. Dietschi Pfarrer daselbst an Sr. Hochehrwürden Herrn Dr. W. Rotermund São Leopoldo Sta. Maria do Mundo Novo, den 11. April 1886, p. 3 (AHIECLB, SR 1/3, 60); Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 96; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 48.