Colônia
As terras de São Sebastião e Maratá, localizadas do lado direito do rio Caí, foram colonizadas por Andreas Rochenborger, passando a serem ocupadas a partir de 18551.
História
A comunidade de São Sebastião do Caí foi fundada em 1869 a partir de união de algumas poucas famílias evangélicas. Até então, os evangélicos, especialmente durante a década de 1860, eram assistidos por dois pastores não ordenados que atuavam na região e, posteriormente, também pelo P. Borchard após sua chegada em São Leopoldo. Posteriormente, quatro vezes ao ano, o P. Hunsche, vindo de Linha Nova, celebrava cultos que ocorriam em diferentes casas particulares de membros da comunidade (famílias Jung, Beck, Fett e Zirbes). Quando de sua filiação em 1869, a comunidade de Maratá era filial da paróquia de São Sebastião do Caí2. Desde 1871 a comunidade de São Sebastião era filial da de São Vendelino, permanecendo nesta condição somente até 1873, pois as estradas até São Vendelino se tornavam intransitáveis durante o inverno. Como filiada à paróquia de São Vendelino, em 1872, a comunidade foi assistida pelo P. Peters. Devido à situação difícil das estradas, a assistência pastoral foi exercida novamente assumido pelos pastores Hunsche e Wegel3.
Após o envio e instalação do P. Schwarz na comunidade de Montenegro, em 1876, a comunidade de São Sebastião se filiou a esta comunidade, sendo assistida pastoralmente a partir de lá. A filiação à paróquia de Montenegro, contudo, somente durou até 1878, pois, devido às estradas intransitáveis, a ligação teve que ser interrompida novamente4. São Sebastião desejava que o P. Schwarz se mudasse para lá. Como ele se viu impedido para tal, a comunidade de São Sebastião se desmembrou e recebeu, em 1883, o P. Schreiber como pastor próprio5.
A comunidade havia recorrido ao P. Rotermund (São Leopoldo) pedindo que ele assistisse a comunidade de cada seis a oito semanas. Ele aceitou o pedido para evitar que pastores não ordenados se estabelecessem na região. Decidiu-se que ele receberia 20 Milréis para cada viagem e a comunidade providenciaria um acompanhante para ele. Em maio de 1882, a comunidade decidiu pela contratação de um pastor próprio. Alguns desejavam que o professor Gauss, que dirigia uma escola em São Sebastião do Caí e, anteriormente atuara como pastor em Estância Velha, assumisse o pastorado na comunidade. Ele proferiu uma prédica como prova, mas a maioria o desaprovou e, assim, se decidiu pela vinda de um pastor da Alemanha. A comunidade colocou à disposição 300 Milréis para a viagem deste. Assim, em 21 de janeiro de 1883, o P. Schreiber foi instalado em São Sebastião, sendo estipulado o seu salário em 300 Milréis. O restante do salário deveria vir de receitas de sua atuação na escola. Em 1884 a comunidade de Arroio Bonito, com 17 famílias, se filiou à comunidade de São Sebastião, passando a contribuir com um valor fixo de 150 Milréis, além de 100 Milréis para emolumentos. Em 1885 a comunidade de Arroio Bonito se filiou à comunidade e, em outubro de 1886, a de Matiel, que passou a contribuir com 150 Milréis. Na época, a comunidade de São Sebastião tinha 70 famílias, totalizando 390 pessoas, Arroio Bonito 60 famílias, somando 340 pessoas, e Matiel 60 famílias, totalizando 360 pessoas. O pastor recebia entre 2.100 e 2.300 Milréis de salário6.
Inicialmente, o P. Schreiber morava num quarto colocado à sua disposição. Com o tempo, a comunidade conseguiu construir uma casa pastoral cuja construção foi concluída em novembro de 18847.
A comunidade integrava o Sínodo Riograndense desde sua fundação (1886) e a Igreja Territorial da Prússia desde 1909. Em 1905, a comunidade sediou o Concílio Geral do Sínodo Riograndense. Durante a Primeira Guerra Mundial, os cultos puderam continuar sendo oficiados em alemão. Em 1920 o P. Schreiber se aposentou sendo sucedido pelo P. Oberacker. Em 1926 a comunidade possuía 287 famílias com 1.536 pessoas. Naquele ano foram oficiados 48 batismos, oito casamentos, 16 sepultamentos, 39 jovens foram confirmados e 550 comungantes participaram da Ceia8.
Templos
Em 1874 a comunidade decidiu pela construção de um templo, que foi consagrado em 12 de fevereiro de 1876 pelos pastores Wilhelm Rotermund, de São Leopoldo, e Schmierer, de Sapiranga9.
Em 1895, 15.000 Milréis em doações foram destinados à construção de uma nova igreja. Por volta de fins de 1897, a construção, ainda sem os acabamentos, estava bem encaminhada. Um incêndio, contudo, destruiu bancos, altar e púlpito, de forma que a consagração somente pôde ser celebrada em 19 de novembro de 1899. No total, a construção da igreja custou 40.000 Milréis10.
"Der Deutsche Ansiedler" de julho-dezembro de 1923 menciona que, no tempo do pastor Oberacker, o senhor K. Diesentäler e sua esposa, por ocasião do seu jubileu de casamento, presentearam o templo com uma pia batismal e, no natal, com a instalação de luz elétrica11.
Torres
Em 1908 a torre recebeu um relógio adquirido através de doações espontâneas de membros da comunidade12.
Sinos
Em 1903 três sinos foram adquiridos por meio de doações da comunidade13.
Bibliografia
AUS DEN GEMEINDEN. Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 61, p. 46, 1923.
DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika.
DEDEKIND, Max. 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbei in Nord u. Südamerika.
GUSTAV ADOLF-KINDERGABE. Kirchen und Kapellen.
SCHREIBER, C. Parochial-Bericht des evangelisches Pfarr-Bezirks São Sebastião do Cahy, São Sebastião do Cahy, im April 1887 (AHIECLB, SR 1/4).
SCHRÖDER, Ferdinand. Brasilien und Wittenberg.
Obreiros e obreiras
Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em São Sebastião do Caí).
Fotos (3)
Notas e fontes
- 1. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbei in Nord u. Südamerika, p. 45 ; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 53.
- 2. Cf. GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 5; Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbei in Nord u. Südamerika, p. 45; Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 111; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 53.
- 3. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 111; C. SCHREIBER, Parochial-Bericht des evangelisches Pfarr-Bezirks São Sebastião do Cahy, São Sebastião do Cahy, im April 1887 (AHIECLB, SR 1/4); GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 5.
- 4. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 111.
- 5. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 53.
- 6. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 111s.
- 7. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 112; C. SCHREIBER, Parochial-Bericht des evangelisches Pfarr-Bezirks São Sebastião do Cahy, São Sebastião do Cahy, im April 1887 (AHIECLB SR 1/4).
- 8. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 113.
- 9. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbit in Nord u. Südamerika, p. 45. GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 5; Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 111; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 53.
- 10. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 112s.
- 11. AUS DEN GEMEINDEN. Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 61, p. 46, 1923
- 12. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 112s.
- 13. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 112s.