Colônia
A colônia foi fundada em 18241. Neste ano, os primeiros alemães imigraram na Feitoria Velha, junto ao Rio dos Sinos, alcançado a cidade o número de 3 mil habitantes no ano de 18652. No primeiro ano de colonização chegaram 126 pessoas, em 1825, outras 909, em 1826, 828, em 1827, 1.088, em 1828, 99 pessoas, em 1829, 1.689 e, em 1830, 117, totalizando 4.856 imigrantes em toda a colônia. Embora não se registrasse a vinda de imigrantes entre os anos de 1831 e 1834, neste ano o número de alemães subiu para 5.955 devido aos 1.099 nascimentos ocorridos. A maioria dos imigrantes era constituída de operários e artífices, alguns comerciantes, um médico, um farmacêutico e um pastor. No navio Germania, que trouxe os imigrantes a São Leopoldo, viajaram 8 pessoas que haviam sido condenadas à morte por amotinação na Alemanha3.
A cidade de São Leopoldo foi fundada pelo presidente Maciel em 1829. Schröder relatou que na cidade se podia encontrar uma igreja católica, um presídio, dois colégios particulares, um para rapazes e outro para moças, além de um curtume e uma fábrica de calçados. Dois terços da população era de confissão evangélica e um terço pertencia ao catolicismo romano4.
Cada colônia destinada a um imigrante abrangia uma área total de 160.000 braços quadrados. Em cada uma moravam em torno de 7 a 8 pessoas, totalizando cerca de 5.400 pessoas. O número total já havia alcançado cerca de 8.000 no passado, mas teria decrescido em conseqüência de ataques de índios, das perturbações da guerra e do espírito desbravador em busca de novas terras5.
Na agricultura se destacava o cultivo da batata e do centeio, bem como do trigo, milho, feijão, mandioca, beterraba e abóbora. Também se destacavam as criações de gado bovino e suíno. Com o leite das vacas se produziam queijos e manteigas. Eram tempos de progresso, mas aos quais se seguiram anos de perdas, causadas por chuvas, granizo e insetos. Em 20 de junho de 1835, iniciou à guerra burguesa, isto é, a Revolução Farroupilha. Num total de 150 alemães morreram nesta guerra e mais de 50 casas foram destruídas e queimadas. Após o fim da guerra, a economia voltou a crescer. Os artífices começaram a vender seus produtos novamente, houve crescimento na indústria, principalmente na fabricação de calçados e no comércio de couro, carros e carretas. De 1840 a 1842, a colônia conseguiu se recuperar dos estragos provocados pela guerra. Entre 1842 a 1845, surgiram 200 fábricas de farinha. Mais de 100 colonos plantavam cana-de-açúcar e havia mais de 50 tachos para ferver o suco do mesmo. Havia 25 moinhos de trigo, além de cinco madeireiras, duas fábricas de óleo, cinco olarias e 50 curtumes6.
Na segunda leva de imigrantes, dentre 21 pessoas, estava o P. Ehlers de Hamburgo. Assim se pôde formar uma comunidade em Feitoria Velha, onde a imigração chegou pela primeira vez. Os livros comunitários datam desde junho de 18247.
Os primeiros imigrantes se esteleceram em São Leopoldo, provisoriamente residiam na hoje conhecida casa dos imigrantes em Feitoria Velha. Nesta casa foi celebrado o primeiro culto8. Em torno de 1846, havia em torno de 3.000 evangélicos e 2.000 católicos em São Leopoldo. Por volta de 1830, a região de Feitoria Velha e São Leopoldo (oeste do Rio dos Sinos), Estância Velha, Costa da Serra e Hamburgo Velho, bem como Dois Irmãos, Ivoti e São José Hortêncio já estavam ocupadas9.
Em 12 de abril de 1864, São Leopoldo foi elevada à condição de cidade, possuindo 1.110 habitantes, dos quais 535 eram protestantes10.
Procedência dos imigrantes
Alguns dos imigrantes eram deportados de Mecklemburgo, pessoas de má fama e moradores do interior, que acabaram recebendo o nome de “mecklemburguenses”. Estes imigrantes embarcaram no dia 20 de junho de 1824 e chegaram ao Rio de Janeiro em 11 de outubro de 1824. Mais tarde, a 10 de setembro de 1825, chegaram alemães de Dömitz, em número de 17 pessoas, de Güstrow, 41 pessoas, e de Bützow, 10 pessoas. Da casa de detenção de Hamburgo, 27 pessoas se inscreveram para imigrar em março e junho de 1824, acusados de roubo e fraude. Alguns também estavam na prisão por causa de pobreza11.
História
Quando os imigrantes alemães chegaram ao Brasil não encontraram comunidades ou igrejas construídas. No entanto, a palavra de Deus e a fé nesta Palavra eram o que tinham trazido de mais valioso da pátria de origem. Com a intensão de que esse bem fosse legado às futuras gerações, os imigrantes desde cedo se preocuparam com a pregação da Palavra e com a fundação de comunidades. Por causa desta procupação dos imigrantes, surgiu a igreja evangélica alemã no Rio Grande do Sul12. A comunidade foi fundada em 182413.
Os imigrantes viam suas crianças crescerem sem escola, pessoas faleciam, casais gostariam de receber a bênção matrimonial, mas não havia pastor. No início, ninguém perguntava por ordenação, preparação e documentação que comprovassem se o pastor havia realmente estudado teologia. Muitas vezes, os professores eram encarregados de atividades pastorais na comunidade, tornando, assim, pastores não ordenados (denominados, posteriormente, de “pseudopastores”)14.
No início a assistência pastoral ficava ao cargo do P. Ehlers, que havia sido contratado pelo governo para este fim. Ele havia vindo com o segundo navio, Germânia, no ano de 1824. No ano de 1825, registrou-se um descontentamento em relação ao seu trabalho. O médico Dr. Carl von Ende pediu então ao governo que o substituísse. O inspetor da colônia havia relatado a existência de conflitos e intrigas. Finalmente, 36 colonos se queixaram dele afirmando que, quando soldados brasileiros requeriram um cavalo de alemães, ele teria dito: “Etez vous Allemans, battez ces bougres sur les têtes”. Depois disso ele foi para o Rio de Janeiro e passou a ser chamado de “Dr. em filosofia”. Segundo o testemunho do P. Borchard, Ehlers acabou se tornando católico. Até 1829, Ehlers havia assistido pastoralmente à colônia de São Leopoldo sozinho, recebendo do governo inicialmente um salário em torno de 200 milréis aumentado, em 10 de fevereiro de 1825, para 400 milréis15.
Georg Ehlers foi sucedido pelo P. Wilhelm Klenze que assistia as comunidades de São Leopoldo, Lomba Grande e São José do Hortêncio. O salário do P. Klenze era de 856 milréis em 1858, de 862 milréis em 1859 e de 904 milréis em 186916.
Embora já haja indícios de sua atuação anterior a esta data, em 8 de maio de 1829, 254 colonos já haviam solicitado a contratação de Klingelhoeffer pelo governo nas mesmas condições de Ehlers para atuar no lado oeste do Rio dos Sinos. Desta forma, se tinha um pastor atuando mais na cidade e outro no campo. Na década de 1840, ainda podia ser encontrado em Campo Bom o assim denominado segundo “pastor” registrado junto ao governo, um alfaiate, chamado de “pequeno Schmidt”17.
O primeiro culto foi celebrado na colônia imperial de Linha Cánhamo, na casa da imigração18. As comunidades mais distantes, muitas vezes, durante muito tempo não recebiam a visita um pastor. Quando, então, da presença de um pastor, ele batizava as crianças e os que já tinham determinada idade eram confirmados19.
O P. Klenze veio a falecer no domingo de Páscoa de 1861, de enfarte. A comunidade passou por um período de longa vacância até 1864. Ela havia se dirigido ao Conselho Superior Eclesiástico de Berlim com o pedido de envio de outro pastor. Entretanto, desde novembro de 1861, o enviado brasileiro de Berlim, Araújo, já contatara o Ministério para Negócios do Exterior da Prússia visando ao envio de pastores para a região do rio Mucury (Teófilo Otoni), Petrópolis e São Leopoldo. O Ministério, porém, manifestou receio em enviar pastores, pois os matrimônios abençoados por estes eram considerados concubinatos. Além disso, o envio de pastores somente ocorreria se as comunidades assumissem compromisso de se filiarem à Igreja Territorial da Prússia. Durante este tempo, a pedido do enviado da Casa de Missão de Basiléia, von Tschudi, foram enviados, em 1861 e 1862, quatro obreiros a Mucury e Petrópolis. O enviado prussiano von Eichmann visitou a colônia de São Leopoldo. Ele pediu em seguida ao Conselho Superior Eclesiástico de Berlim que enviasse um obreiro e informou-os de que os ministros liberais Sinimbu e Abrantes não estariam inclinados a impedir uma organização à igreja protestante através de um consistório extraordinário. Após envio de uma carta de consulta aos consistórios das igrejas territoriais alemãs e reunião do Consistório de Koblenz, em 9 de novembro de 1863, este informou que o P. Borchard estava a caminho com o navio La Reine e chegaria ao Brasil em 16 de fevereiro de 186420.
A paróquia de São Leopoldo, na época, era composta por 400 famílias. Assim, em 16 de abril de 1864, Borchard se tornou pastor desta paróquia. Com ele veio também colportor de bíblias Michael, que se estabeleceu em Butucarahy (Candelária) em 187021. No domingo Jubilate de 1864, o P. Borchard oficiou seu primeiro culto em São Leopoldo. Ele foi responsável pela criação dos estatutos da comunidade22.
Por ocasião da formulação dos estatutos, num artigo datado de 28 de maio de 1864, o P. Borchard escreveu que, em São Leopoldo, o pastor era escolhido de acordo com sua idade e, quando a comunidade estava descontente com ele, escolhia uma comissão composta por 7 integrantes para avaliar a situação. Caso o pastor caísse em juízo, era destituído do cargo e não mais recebia o salário pastoral. O P. Borchard logo mudaria este estatuto23.
Após vencer diversas dificuldades e com a chegada do professor Dr. Stahl, de Lübeck, o P. Borchard fundou o Instituto Alemão Secundário de Educação, cujas aulas iniciaram em 1º de maio de 1867, com 18 estudantes24. O caráter do instituto era teuto-evangélico, com forte rigor disciplinar. Também possuía um pensionato para estudantes oriundos de colônias mais distantes. As disciplinas estavam divididas em português, alemão, francês, matemática, geometria, história, artes e canto. Em setembro a instituição já contava com 28 alunos. Quando o P. Borchard voltou de uma viagem a Montevideo, em 1868/1869, tomou conhecimento de que os jesuítas haviam comprado um terreno por 10.000 Milréis para a construção de um grande prédio, onde funcionaria um instituto de educação católico. Sendo assim, foi necessário que o Instituto Alemão Secundário de Educação fosse fechado e transferido para Porto Alegre em 2 de maio de 187025. Em 1871 o professor Bieri assumiria o lugar do professor Stahl como professor na escola de formação elementar. Ao lado do então ainda aberto Instituto Alemão, foi construída uma escola para moças, que teve como professoras a senhorita Stein, enviada pelo Comitê para os Alemães Protestantes no Sul do Brasil e chegada a São Leopoldo em 21 de setembro de 1868, e a esposa do P. Borchard26.
Em 1880 o P. Rotemund inaugurou a “Escola Nova”, a qual, mais tarde, foi transferida para junto da atual rua Independência, passando a se chamar Colégio Independência. Em 1891, a partir de doações do Conselho Superior Eclesiástico de Berlim (2.000 milréis) e da Sociedade Evangélica para os Alemães Protestantes na América (8.000 milréis), a mesma pôde ser ampliada de forma que o espaço antigo pôde ser utilizado como moradia do P. Ehemann (no andar térreo) e quartos para estudantes internos (andar superior). Em 1893 o Colégio foi transferido para Hamburgo Velho e, em 1897, foi extinto27.
Em 7 de junho de 1865, o P. Borchard realizou a primeira conferência de professores, na qual 18 professores se fizeram presentes. Em 15 de fevereiro de 1866, se realizou a primeira conferência pastoral, com a presença de sete pastores. Em 10 e 11 de fevereiro de 1868, em reunião de 9 pastores, foi fundado o Sínodo Teuto-Evangélico da Província do Rio Grande do Sul. Na terceira conferência pastoral, a 6 de janeiro de 1870, o P. Gruel, de Desterro, mais tarde, no Rio de Janeiro, foi ordenado pelo P. Borchard. Em 1869 e 1870, os jesuítas e franciscanos, respectivamente, construíram suas escolas. Diante deles, o colégio evangélico teve de ser fechado em 187228.
Em junho de 1869, o Missionário Wegel passou a auxiliar o P. Borchard e, em 26 de junho de 1870, foi eleito como pastor, devido à saída de Borchard de São Leopoldo, efetivada em 28 de julho de 1870. Quando da saída do P. Borchard, a comunidade acompanhou o pastor até o lugar de sua partida. Durante a despedida, as crianças cantavam o hino “Fahre fort, fahre fort” (Siga adiante, siga adiante)29.
Por motivo de doença, o P. Wegel só pôde assistir à comunidade até março de 1873. Em seu lugar o P. Häuser assumiu a comunidade até a Páscoa de 1874. Durante este tempo, dois terços das pessoas da comunidade haviam se casado com católicos de forma que seus filhos e filhas, de acordo com a lei, tinham de ser batizados e se tornar católicos30.
Em 1º de janeiro de 1875, o P. Dr. Wilhelm Rotermund assumiu a comunidade, enviado pelo Comitê para os Alemães Protestantes do Sul do Brasil31. O P. Rotermund defendia a instrução dos alunos em língua alemã, pois, segundo ele, ao deixar de falar alemão, deixariam também serem evangélicos e deixando de serem evangélicos, abandonariam também sua igreja e assim a germanidade deles. Por isso, os pastores também deveriam proferir as prédicas e realizar os ofícios em alemão32.
Um relatório da senhorita Stein (15/01/1869) é muito ilustrativo sobre a vida comunitária:
“Para o Natal a igreja será enfeitada com flores e será arranjada uma árvore de Natal. As crianças da escola trouxeram tantas flores que a gente não cansava de vê-las. Na manhã antes do Natal nos dirigimos até à igreja onde já estavam reunidas várias crianças com professores da Escola Dominical, também crianças da escola. Era uma vida ativa, guirlandas foram tecidas, vasos enchidos, nozes douradas, correntes cortadas e penduradas. Muitos trabalhos de papel e ovos, cestinhas, plumas foram trazidos, também bolas para enfeitar o pinheiro. Às 17:00 o trabalho estava pronto. Às 20:00 teve início o culto na igreja iluminada com dois lustres coroados. As crianças vestidas para festa contavam a história de Natal, interrompida com hinos. O canto das crianças era excelente, a gente se impressionava com a multidão de hinos que elas sabiam cantar. Por isso elas são os membros mais ativos da comunidade e não faltam quase nunca. O senhor Dr. Borchard proferiu um discurso para os pais e para as crianças e trouxe uma verdadeira alegria de Natal no coração, relatou sobre a Escola Dominical, a biblioteca dos jovens e pediu aos pais para mandarem seus filhos fielmente à Escola Dominical. Participavam dele de 90 a 120 crianças e 10-12 professores, no respectivo número de classes, que ensinavam. Infelizmente a Biblioteca estava muito usada. Se esperava que a coleta da noite oferecesse os meios necessários para a restauração, no entanto ela mal chegou para pagar as despesas do pinheiro, que com as velas, custou 17-20 Milréis. Sob o pinheiro aceso as crianças cantavam felizes, no que o pinheiro foi saqueado e o senhor Dr. Borchard leiloou as doações. O júbilo inquieto se tornou harmonia, quando no fim foi cantado: “Die Gnade unseres Herrn”. No primeiro dia de festa (25/12) a igreja ofereceu uma alegre e impressionante visão – esse grande cortejo de membros, folhas de palmeiras no altar, as coroas nas paredes, os enfeites de flores da festa de Cristo – A prédica nos conduziu à pátria terrestre novamente e de lá para a eterna pátria.”33
Menciona-se que tanto a festa da Reforma quanto de Natal segundo o costume alemão – mesmo que seja em meio ao verão – atraía muitos católicos34.
Em 1889, a celebração de véspera de Natal na comunidade de São Leopoldo contou com duas árvores de Natal na igreja ricamente enfeitadas. Os cantos foram conduzidos pelas crianças e pela Associação de Canto Lyra. Em Lomba Grande combinou-se celebrar da mesma forma na véspera de Natal. A chuva forte que caiu à tarde, no entanto, impossibilitou a celebração, que foi prorrogada para a noite de Silvestre. Em São Leopoldo como em Lomba Grande a igreja estava lotada35.
Depois de alguns anos da celebração de cultos da Paixão em Lomba Grande, também foram introduzidos em São Leopoldo a partir de 1889.36.
Desde 1876/1877 a comunidade se encontrava em conflitos, ocasionados pelo desejo de se ampliar a escola comunitária. A diretoria da comunidade não concordava com a ampliação, o que causou uma divisão na comunidade. A parte contrária escolheu o alfaiate Schäfer e, mais tarde, um acadêmico de nome Süffert como pastor. O professor Bieri abandonou o cargo de professor comunitário e erigiu uma escola aconfessional. Em seu lugar assumiu a escola o professor Schröder, enviado de Barmen. Mais tarde um senhor de nome Frankenberg, posteriormente redator do jornal Revista Alemã, atuou como pastor desta comunidade37.
Em 1904, a comunidade se filiou à Igreja Territorial da Prússia38.
Em 1927 a comunidade tinha 1.927 membros, num total de 408 famílias, compreendendo as comunidades de Wilhelmsluft, Steinkopf, Feitoria Velha e Berto Cyrio39.
Em 1865, Borchard menciona que havia sido introduzido na comunidade de São Leopoldo e Lomba Grande o catecismo de Heidelberg, talvez porque a grande parte dos primeiros imigrantes pertencia à Igreja Reformada40.
Templos
Aos imigrantes que aqui chegaram faltavam templos dignos para a realização dos cultos. Construí-los logo de início era impossível, pois faltavam condições e tempo. Por isso, era necessário que, inicialmente, os cultos fossem celebrados em casas particulares ou em escolas. Mas sempre vinham à memória os lindos templos da pátria alemã, despertando o desejo de construir também aqui belos templos e capelas. No início, não era possível construir templos muito grandes nem tão belos, o que pode se perceber através dos primeiros templos e capelas construídos pelas comunidades41.
Em 1874, mencionou-se que o governo brasileiro não apenas pagava para a população católico-alemã o salário do padre e do professor, mas também construía igrejas e escolas, enquanto que a população evangélico-alemã tinha de se encarregar disso por si só. Concluiu-se observando que não era de se admirar e de se alegrar que, mesmo com toda essa indiferença, ainda acontecesse tanta coisa na igreja e escola42.
Em torno de 1862, a paróquia possuía sete igrejas, uma na cidade, três em picadas da mata, três na região do campo e uma em construção43. A igreja na cidade era de alvenaria e tinha 80 pés de largura. Em 26 de junho de 1825, o P. Ehlers havia recebido por doação um pedaço de terra, destinado à construção de uma casa pastoral, onde ele pudesse realizar suas prédicas e demais funções de seu ministério. Sendo assim, por volta de 1825, já havia se iniciado a construção da igreja em São Leopoldo44. Por causa da Revolução Farroupilha, a construção foi interrompida em 1826. Em 1845 deu-se prosseguimento à construção de forma que, em 18 de janeiro de 1846, ela pôde ser consagrada. O templo media 18,45 metros de largura e 11,73 metros de comprimento e era em estilo enxaimel. As paredes tinham 4 metros de altura e 60 cm de largura, e eram de pedras de areia. O interior da igreja oferecia espaço para 250 pessoas. Essa igreja serviu à comunidade durante 61 anos. O último culto a ser realizado na mesma foi a 4 de agosto de 1907, quando ela foi, então, demolida para a construção do novo templo45.
Borchard caracterizou a primeira igreja de São Leopoldo como sendo uma capela bem construída e alegre, para a qual o imperador contribuiu, no mais ela foi construída pela comunidade. Na igreja havia uma imagem no altar, a Ascensão de Cristo, que originalmente era destinada para um convento católico e depois foi presenteada por dois comerciantes ingleses de Porto Alegre à comunidade local. No altar queimavam velas. Nos cultos de Santa Ceia fazia-se uso do pão. Ao invés do cálice para Santa Ceia se usava um copo normal e ao invés de uma jarra era usada a garrafa de vinho, ao invés da bacia batismal uma bacia. Segundo Borchard, como se podia perceber, havia uma mistura caótica de costumes e mau hábitos reformados, luteranos e um pouco católicos, cristãos e racionais46.
Na década de 1880, a igreja de São Leopoldo foi interiormente restaurada. Os trabalhos deveriam custar mais de 600$000Rs. O dinheiro foi levantado através de doações voluntárias. A igreja se parecia, por dentro, como um salão bonito. A aquisição de duas lâmpadas claras possibilitaram que, a cada Sexta-feita à noite, pudessem ser celebrados Estudos Bíblicos. O sacrifício da comunidade é louvável47.
Em 1905, visando a construção do novo templo, mencionou-se que as pessoas estavam novamente engajadas na organização de bazares para arrecadar fundos para este fim48. O templo foi consagrado em 15 de novembro de 1911, por ocasião do 23o Concílio Geral do Sínodo Riograndense49.
Sinos
Registrou-se que o pequeno sino do antigo templo não teria encontrado espaço na torre da nova igreja, consagrada em 1911. Já os sinos novos eram tocados duas vezes ao ano, em 25 de julho, data comemorativa à chegada dos imigrantes, e, em 15 de novembro, dia da consagração da igreja, em memória aos pais e como exortação para ser fiel à fé evangélica50.
Obreiros e obreiras
Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Imigrante).
Fotos (7)
Notas e fontes
- 1. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 40.
- 2. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 43.
- 3. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 52s.
- 4. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 56.
- 5. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 56.
- 6. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 58-60.
- 7. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 40.
- 8. Cf. GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 2.
- 9. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 61.
- 10. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 65.
- 11. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 53s.
- 12. Cf. GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 1.
- 13. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 40.
- 14. Cf. Bruno GEISSLER, Der Kulturbedeutung der deutschen evangelischen Kirche in Brasilien, p. 28.
- 15. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 55s, 60.
- 16. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 61.
- 17. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 61.
- 18. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 60.
- 19. Cf. Bruno GEISSLER, Der Kulturbedeutung der deutschen evangelischen Kirche in Brasilien, p. 29.
- 20. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 62s.
- 21. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 43.
- 22. Cf. Bruno GEISSLER, Der Kulturbedeutung der deutschen evangelischen Kirche in Brasilien, p. 32.
- 23. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 63.
- 24. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 43s.
- 25. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 64.
- 26. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 63s. Segundo Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 43s., a fundação desta escola data de 21 de setembro de 1968.
- 27. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 65s.
- 28. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 43s.
- 29. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 64.
- 30. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 65.
- 31. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 65.
- 32. Cf. Bruno GEISSLER, Der Kulturbedeutung der deutschen evangelischen Kirche in Brasilien, p. 36.
- 33. Cf. AEDS (1869), p. 10-12.
- 34. Cf. AEDS (dezembro 1866), p. 4.
- 35. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 2. Jahrgang, n. 31, p. 4.
- 36. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 1. Jahrgang, n. 45, p. 4
- 37. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 65.
- 38. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 44
- 39. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 66.
- 40. Cf. Hermann BORCHARD, apud, MEDS (1865), col. 10.
- 41. Cf. GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 1s.
- 42. Cf. AEDS (1874), p. 48.
- 43. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 57.
- 44. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 60.
- 45. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 61; GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 4.
- 46. Cf. Hermann BORCHARD, apud, MEDS (1865), col. 10.
- 47. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 1. Jahrgang, n. 49, p. ¿
- 48. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 19. Jahrgang, n. 12, p. 47.
- 49. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 66, 222; Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 43. Ver ainda Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 42.
- 50. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 61; GUSTAV ADOLF-KINDERGABE, Kirchen und Kapellen, p. 4.