Ir para o conteúdo
IECLB História Acervo histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Comunidade

Comunidade Evangélica de Santa Isabel

Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Santa Isabel · Santo Amaro da Imperatriz – SC

Colônia

A fundação da colônia alemã de Santa Isabel ocorre em 1847 e está relacionada a um projeto de 1792 do Presidente da Província de Santa Catarina, João Alberto Miranda Ribeiro, que visava a construção de uma estrada ligando a capital, Desterro (Florianópolis), à Lages, no planalto serrano1.

Os imigrantes que vieram a bordo do navio Erídano, que chegou no Rio de Janeiro em dezembro de 1846, trazendo setenta a oitenta imigrantes alemães, se estabeleceram em Santa Isabel, uma colônia à margem do Rio dos Bugres. A colônia recebeu este nome em homenagem à princesa Isabel2. Havia 71 famílias na colônia, em parte católicas e em parte protestantes, compreendendo 600 pessoas.

A colônia foi fundada em 1847 por 150 alemães que receberam lotes de terra perto da estrada projetada de Lages no rio dos Bugres e arredores, numa extensão de 3.900 braçadas3. Depois de terem recebido a terra, foram abandonados à própria sorte. Mas receberam ajuda de colonos que moravam por perto, na Vargem Grande do Rio Cubatão, até que o governo imperial decidiu conceder a eles 160 réis por pessoa ao dia, mas o que, naquela época, mal dava para matar a fome. Não havia um diretor na colônia e os alemães passaram por muitas dificuldades no começo. Alguns desanimavam, mas outros, acostumados ao trabalho e na certeza de que dependiam somente de si mesmo para melhorar a sua situação, trabalharam muito e depois de uns anos conseguiram vender alguns de seus produtos nos mercados de Desterro4. Também por terem trabalhado na construção de estradas, conseguiram arrecadar mais renda. Com o tempo, eles começaram a prosperar, possuíam gado, terrenos, casas, plantações e mercado para vender seus produtos.

Entretanto, os colonos ainda não haviam recebido as escrituras do governo até 1861, ou seja, nem as terras haviam sido medidas ainda. Alguns achavam que tinham 1.000 braças de terra quando na verdade só tinham em torno de 3005.

Em 1861 a colônia contava com 284 habitantes em 57 famílias. Com exceção de uma família brasileira e de uma brasileira, que havia se casado com um alemão, todos eram alemães e na sua maioria protestantes. Em 1860 o governo aumentou a colônia, entregando lotes de terra a 33 famílias ao norte, com 127 pessoas, que eram da província do Rio de Janeiro6. Entretanto estas terras não estavam medidas corretamente. Joaquim José de Souza Corcoroca se tornou, então, diretor da colônia.

Procedência dos imigrantes

Os imigrantes eram de origem alemã.

História

A comunidade de Santa Isabel é a mais antiga de Santa Catarina, mas ficou sem assistência eclesiástica durante os seus primeiros quinze anos de existência. Muitos imigrantes passaram às filerias do catolicismo, mas a maioria preservou a fé evangélica. A situação passou a se alterar quando, em 1861, Johann Jakob von Tschudi passou pela região, tendo sido enviado pelo governo suiço para inteirar-se da situação dos imigrantes no Brasil. Nesse ano, habitavam 57 famílias na colônia, que pediram insistentemente pelo envio de um professor e de um pastor para a região7.

Até 1860 os protestantes não tinham cultos e se queixavam com o governo quanto a isso. No início, o P. Oswald Hesse, de Blumenau, celebrava cultos na comunidade8. A comunidade se reunia em culto aos domingos, cantava e orava. Um dos colonos, um marceneiro, lia a prédica. Durante um tempo um quaker, que estava viajando pela região, pediu permissão para realizar um culto à tarde. Entretanto ele mal sabia falar alemão e a comunidade acabou não entendendo nada do que ele estava dizendo9. A comunidade continuou pedindo junto ao governo por um pastor, até que foi enviado um pastor da Missão de Basiléia para Santa Isabel10.

A falta de pastor fez com algumas pessoas procurassem párocos católicos para realizar alguns ofícios. Jost Heinz, por exemplo, queria se casar com a filha de Bauer, ambos protestantes. Devido à carência de pastores protestantes, ele procurou um pároco de Santo Amaro. Entretanto, o pároco fez tantas exigências que nem os pais nem os noivos se interessaram em cumprir. Depois disso, eles tentaram em São José, onde o padre realizou a cerimônia, mas também teria batizado os noivos no ofício católico, sem a permissão dos mesmos. O padre, segundo testemunhas, havia mandado os noivos abaixarem as cabeças após a cerimônia e, murmurando umas palavras, os aspergiu com água benta. As pessoas presentes não haviam entendido as palavras, pois ele havia falado em latim, mas estavam convictos de que ele os teria batizado. Na investigação que o governo imperial havia mandado realizar, o padre afirmou que nem havia pensado em batizar o casal11.

Destaque na história da região tem o Instituto Educacional com Internato, que foi inaugurado em 01/02/186512. Em 1910, devido a grandes dificuldades financeiras, o instituto teve que ser vendido e a comunidade evangélica adquiriu as sua instalações por 4:800$000. As terras foram adquiridas pelo pastor Zluhan13.

Os pastores Bessler(1926-1930) e Stoer(1930-1936) insistiram na necessidade de reativar o Internato, mas só o conseguiram por um tempo breve. Com a política de nacionalização do governo Vargas, no final da década de 1930, esse instituto fechou as suas portas definitivamente14.

Templos

As famílias haviam construído duas pequenas capelas15. O Sr. Scheidt construiu uma capela em 1860, com a capacidade para 200 pessoas. Depois que a capela estava pronta, os moradores queriam cobrir as despesas que ele havia tido e adquirir o edifício, que havia custado 1.500 réis, para a comunidade16. A antiga “igreja de Lutero” (Martinskirche) foi construída de madeira pelos primeiros moradores de Bugerbach (Santa Isabel) em 1860.

Em 18 de agosto de 1935, a comunidade inaugurou o seu novo templo. A torre da nova igreja tinha 4 metros de altura a mais que a da antiga capela. A bandeira da Igreja Evangélica Alemã foi hasteada frente à torre do novo templo e o sino soou. Toda a comunidade se reuniu para a celebração. O hino “Eine feste Burge ist unser Gott” (Deus é castelo forte e bom) foi entoado e a comunidade ouviu a prédica baseada no texto bíblico de I Pe 2. 4-5. A igreja estava toda enfeitada de folhas de palmeira e cipreste. Ainda haviam sido reconstruídas nos últimos quatro anos a casa do pastor, a casa do professor, a escola e a igreja. 17.

Sinos

Bibliografia
FLOS, Max-Heinrich. Nossos Pais/Unsere Väter, Sínodo Evangélico de Santa Catarina e Paraná, 1961.

EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA UND DER SYNODE MITTELBRASILIEN, Der Christenbote – Monatsblatt für die deutschen evangelischen Gemeinden in Sta Catharina und der Synode Mittelbrasilien, 28.Jahrgang, n.8, Blumenau, agosto de 1935.

Obreiros e obreiras

Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Santa Isabel).

PeríodoObreiro/aFonte
? – ? Oswald Hesse em Comunidade Evangélica de Anitápolis Atuou na comunidade a partir de Blumenau. indefinido
05 novembro 1861 – 1864 Carl Wagner Groben em Comunidade Evangélica de Anitápolis Devido à ausência de escola e às grandes distâncias, resolveu construir uma escola com internato. Em novembro de 1862 foi iniciado esse projeto com auxílio finaceiro da Suiça e da Alemanha. Atuou em São Pedro de Alcântara. KLUG, João. A Escola Teuto-Catarinense e o Processo de Modernização em Santa Catarina - A..., p. 101s.
1865 – 1872 Christian Tischhauser em Comunidade Evangélica de Anitápolis O P. Tischhauser veio para Santa Isabel substituir o P. Carl Wagner Groben e dar continuidade ao trabalho da escola/internato por este inagurada. Em 01 de fevereiro de 1865 foi inaugurado o Instituto Educacional e no relatório de março do mesmo ano o P. Tischhauser afirma que a escola "tende a crescer a cada semana que passa". KLUG, João. A Escola Teuto-Catarinense e o Processo de Modernização em Santa Catarina - A..., p. 102
1870 – 1909 Christian Zluhan em Ponto de Pregação Rio Forquilhas Inicialmente auxiliava nas atividades no Instituto Educacional, mas a partir de 1873, com a volta do P. Tischhauser à Europa, assumiu também as atividades pastorais na região. KLUG, João. A Escola Teuto-Catarinense e o Processo de Modernização em Santa Catarina - A..., p. 109
1889 – 1893 Gottfried Albert Emil Gans em Ponto de Pregação Rio Forquilhas WACHHOLZ, Wilhelm. "Atravessem e Ajudem-nos"; a atuação da Sociedade Evangélica de Barmen..., p. 343
1910 – 1923 Adolf Langbein em Ponto de Pregação Rio Forquilhas DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 15
1926 – 1930 Erich Bessler em Comunidade Evangélica de Anitápolis Segundo João Klug, o P. Bessler[Betzler] atuou até 1929 e regressou à Alemanha por motivos da saúde da esposa. Durante a sua atuação tentou reativar o Instituto Educacional. A seu pedido, foram enviados a Srta. Agnes Oppermann e o diácono Gustav Crome{fonte} João KLUG. A Escola Teuto-Catarinense. Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997, p. 111.{/fonte}. DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 3
1930 – 1936 Hermann Stoer em Ponto de Pregação Rio Forquilhas KLUG, João. A Escola Teuto-Catarinense e o Processo de Modernização em Santa Catarina - A..., p. 100

Notas e fontes

  1. 1. KLUG, João. A Escola Teuto-Catarinense e o Processo de Modernização em Santa Catarina - A Ação da Igreja Luterana Através das Escolas (1871-1938). Universidade de São Paulo, USP, Brasil, 1997. p. 100.
  2. 2. Cf. Max-Heinrich FLOS,. Nossos Pais/Unsere Väter, p. 145.
  3. 3. Cf. Max-Heinrich FLOS,. Nossos Pais/Unsere Väter, p. 151.
  4. 4. Cf. Max-Heinrich FLOS,. Nossos Pais/Unsere Väter, p. 153.
  5. 5. Cf. Max-Heinrich FLOS,. Nossos Pais/Unsere Väter, p. 153.
  6. 6. Cf. Max-Heinrich FLOS,. Nossos Pais/Unsere Väter, p. 153.
  7. 7. KLUG, João. A Escola Teuto-Catarinense e o Processo de Modernização em Santa Catarina - A Ação da Igreja Luterana Através das Escolas (1871-1938). Universidade de São Paulo, USP, Brasil, 1997. p. 100s.
  8. 8. Cf. Max-Heinrich FLOS,. Nossos Pais/Unsere Väter, p. 155.
  9. 9. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 155.
  10. 10. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 155.
  11. 11. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 155, 157.
  12. 12. KLUG, 1997, p. 102.
  13. 13. KLUG, 1997, p. 110.
  14. 14. KLUG, 1997, p. 111.
  15. 15. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 145.
  16. 16. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 155.
  17. 17. Cf. EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA UND DER SYNODE MITTELBRASILIEN, Der Christenbote, 28. Jahrgang, n. 8, p. 6.