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IECLB História Acervo histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Comunidade

Comunidade Evangélica de Itati

Paróquia Evangélica de Confissão Luterana do Vale Três Forquilhas · Itati – RS

Colônia

Em torno de 29 a 30 de outubro de 1826, surgiu a colônia de Três Forquilhas, formada por 68 famílias alemãs, dentre as quais 28 eram evangélicas1. Entre os colonos estava o P. Leopold Voges2. A esperança era de que o porto de Torres fortalecesse o comércio na região, o que não se concretizou devido ao isolamento da colônia em relação a outras regiões. Ainda assim, a colônia subsistiu. As estradas para os morros eram ruins, piorando ainda mais em tempos de chuva3.

História

Em 13 de dezembro de 1825 o P. Ehlers é informado de que o P. Leopold Voges, formado num seminário católico, seria seu ajudante e que receberia a soma de 100 Milréis ao ano. Seus adeptos não estavam satisfeitos, pois queriam equiparação entre ambos os pastores. O imperador determinou, então, em 17 de maio de 1826, que o presidente da província deveria providenciar os recursos para manter o P. Voges. Para tanto o P. Voges deveria se estabelecer em Torres com seus aliados. Também se decidiu, em 3 de abril de 1827, aumentar o salário do P. Voges para 300 Milréis. O P. Voges atuou na comunidade por 65 anos. Tinha uma casa comercial. Menciona-se dele que mantinha escravos que trabalhavam na lavoura, na fabricação de cachaça e telhas, no curtume. Ao lado desses trabalhos realizava cultos, nos quais lia uma prédica e fazia orações. Não havia uma escola na comunidade e as crianças permaneciam, assim, isoladas e sem instrução. No ano de 1892 ele veio a falecer4.
Em 1892 a comunidade se filiou ao Sínodo Riograndense e recebeu o P. Geisler como pastor. Geisler atuou na comunidade nos anos de 1892 e 1893. Com as filiais Rio de Terra, Cachoeira (cuja capela foi consagrada a 26 de outubro de 1930), Aguapé e 8 pontos de pregação, o pastorado compreendia 262 famílias com 1300 pessoas5.
Como sucessor de Geisler, a comunidade recebeu o P. Rudolf August von Bracken, passou a dar aulas para as crianças, em torno de quatro a seis horas diárias. Entretanto das 18 crianças, devido ao baixo desempenho na aprendizagem, apenas 7 puderam ser confirmadas6.
Depois de dois anos de vacância, a Sociedade Evangélica de Barmen enviou o P. Gottfried Schlegtendal. Schlegtendal, relembrando seu primeiro culto na comunidade, observou que os homens entravam e saiam do culto para fumar. Na Ceia, uma senhora teria abraçado uma amiga diante da mesa do altar. Os batismos eram postergados o máximo possível, sendo que as crianças eram batizadas com dois e até dez anos de idade. Os casais geralmente buscavam a bênção para seus matrimônios depois que o primeiro filho já havia nascido. Para a confirmação, as famílias traziam crianças com apenas oito anos, sem que as mesmas tivessem sido instruídas. Isso refletia as condições sob as quais a comunidade vivia quando o P. Voges atuava na mesma7.
Diante desta situação, o P. Schlegtendal manifestou preocupação com a comunidade e buscou regular a vida comunitário. Estabeleceu que os rapazes deveriam ter no mínimo 13 anos e as moças 12 para serem confirmados. E eles só podiam ser confirmados depois de freqüentarem durante pelo menos um ano o Ensino Confirmatório ministrado pelo próprio pastor. Como não podia proibir as pessoas que não haviam sido confirmadas de freqüentarem a Ceia, instituiu que jovens entre 16 e 18 anos de idade tivessem o direito de serem membros confirmados da comunidade, sem passarem por uma prova e pela doutrina. Casais infiéis seriam considerados como não pertencentes à comunidade e o pastor não poderia visitar suas casas. Se eles viessem a falecer, não teriam o direito de serem sepultados no cemitério da comunidade e teriam de sepultar seus entes no campo ou nos “cemitérios dos brasileiros”. Seus filhos não poderiam ser batizados, até que o casal recebesse uma benção e mudasse seu modo de vida8.
Em 24 de setembro de 1897 a colônia foi atingida por uma grande enchente. Muitas casas foram destruídas e gado morreu afogado. O pátio da igreja foi destruído. Também faleceram muitas pessoas da comunidade9.
De 1898 a 1907 o P. Lechler atuou na comunidade. De Três Forquilhas ele também assistia às comunidades de Crisciuma e Cocal. Lechler também acolheu brasileiros que haviam se tornado evangélicos através de suas relações com os alemães, seja como escravos ou trabalhadores10. O P. Lechler iniciou uma evangelização entre os “brasileiros”. Por volta de 1912 a comunidade contava com 240 famílias. Por esta época, a comunidade se filiou à Igreja Territorial da Prússia, recebendo também apoio da Sociedade Evangélica de Barmen11.
Entre abril e outubro de 1907, o P. Bernecker atuou na comunidade. No período de vacância, o P. Kleinkamp assistiu à comunidade antes de viajar para a Alemanha. Assim, em outubro de 1908 a comunidade recebeu o P. Töbke. Em 1909 foram batizadas 66 crianças, duas foram confirmadas, 12 casais receberam a bênção matrimonial e foram realizados 17 sepultamentos. Haviam quatro comunidades filiadas, a saber, as de Rio da Terra, Cachoeira, Aguapé e Araranguá. Ao todo havia, por volta de 1928, 264 membros na comunidade. No mesmo ano foram batizadas 79 crianças, 9 casais receberam a bênção matrimonial, 18 pessoas foram sepultadas e 34 crianças foram confirmadas12.

Templos

Três Forquilhas possuía uma igreja13.

Torres

A comunidade edificara uma torre de madeira em 1904. Em 1927, edificou-se uma torre de alvernaria14. A nova torre foi inaugurada em 18 de setembro de 1927 em substituição a antiga de madeira (1904). A inauguração da torre estava relacionada com a festa do centenário de fundação da colônia15.

Sinos

No ano de 1902 a comunidade recebeu dois sinos, doados pela Sociedade Evangélica de Barmen. Os sinos foram consagrados em 2 de abril de 1905. No relatório datado do dia da consagração dos sinos, encontra-se escrito que, por causa do tempo de jejum (quaresma), a festa se encerraria à tarde e não haveria danças16.

Bibliografia

AUS DEN GEMEINDEN. Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 66, p. 12, janeiro-fevereiro 1928.

Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg.

Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika.

Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika.

Obreiros e obreiras

Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica de Confissão Luterana do Vale Três Forquilhas).

PeríodoObreiro/aFonte
1826 – 1892 Carl Leopold Voges em Comunidade Evangélica Boa União DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 29
1892 – 1893 Gustav Geisler em Comunidade Evangélica Boa União DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 8
1893 – ? Rudolf August von Bracken em Comunidade Evangélica Boa União Atuou na comunidade como Pastor Itinerante. DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 29
maio 1895 – junho 1898 Emil Gottfried Schlegtendal em Ponto de Pregação Vila Brehm WACHHOLZ, Wilhelm. "Atravessem e Ajudem-nos"; a atuação da Sociedade Evangélica de Barmen..., p. 306
10 dezembro 1898 – julho de 1907 Ernst Theodor Lechler em Ponto de Pregação Vila Brehm DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 327s.
abril de 1907 – agosto de 1907 Ernst Bernecker em Comunidade Evangélica Boa União DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 3
janeiro de 1908 – março de 1908 Christian Friedrich Kleikamp em Ponto de Pregação Vila Brehm WACHHOLZ, Wilhelm. "Atravessem e Ajudem-nos"; a atuação da Sociedade Evangélica de Barmen..., p. 289
1908 – 1913 Karl Töbke em Ponto de Pregação Vila Brehm DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 28
23 abril 1913 – 1918 Gottfried Albert Emil Gans em Comunidade Evangélica Boa União WACHHOLZ, Wilhelm. "Atravessem e Ajudem-nos"; a atuação da Sociedade Evangélica de Barmen..., p. 343
1919 – 1923 Eduard Johann Hirschböck em Ponto de Pregação Vila Brehm DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 11
1923 – ? Gustav Schreiner em Ponto de Pregação Vila Brehm DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 25

Fotos (16)

  • Exterior do templo

    Exterior do templo

  • Vista do altar

    Vista do altar

  • Púlpito

    Púlpito

  • Pia batismal

    Pia batismal

  • Interior do templo

    Interior do templo

  • Vitrais

    Vitrais

  • Vitrais

    Vitrais

  • Mesa do altar

    Mesa do altar

  • Cruz

    Cruz

  • Vista frontal da igreja

    Vista frontal da igreja

  • Data de construção do templo

    Data de construção do templo

  • Inscrição na parte frontal direita da igreja

    Inscrição na parte frontal direita da igreja

  • Inscrição na parte frontal esquerda da igreja

    Inscrição na parte frontal esquerda da igreja

  • Vista exterior da igreja

    Vista exterior da igreja

  • Residência ao lado da igreja construída para o pastor Voges, primeiro pastor da comunidade. Ela data da primeira metade do século XIX, mas a forma original não está conservada.

    Residência ao lado da igreja construída para o pastor Voges, primeiro pastor da comunidade. Ela data da primeira metade do século XIX, mas a forma original não está conservada.

  • Monumento em memória do Centenário da Imigração Alemã no Rio Grande do Sul, situado no pátio da igreja evangélica.

    Monumento em memória do Centenário da Imigração Alemã no Rio Grande do Sul, situado no pátio da igreja evangélica.

Notas e fontes

  1. 1. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 68.
  2. 2. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 49.
  3. 3. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 49.
  4. 4. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 68s.; Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 49.
  5. 5. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 49.
  6. 6. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 69.
  7. 7. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 70.
  8. 8. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 70.
  9. 9. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 71.
  10. 10. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 71.
  11. 11. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 50.
  12. 12. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 71s.
  13. 13. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 49.
  14. 14. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 72.
  15. 15. AUS DEN GEMEINDEN. Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 66, p. 12, janeiro-fevereiro 1928
  16. 16. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 71s.