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IECLB História Acervo histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Comunidade

Comunidade Evangélica de Crisciúma

Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Crisciúma · Laranja da Terra – ES

Colônia

Em 1910 os primeiros colonos alemães se estabeleceram na colônia de Cresciuma1.

História

Inicialmente a comunidade era assistida pelo P. Wrede, de Guandu. Em 1913 a comunidade se desligou do P. Wrede e de seu sucessor, P. Weber, da Associação Caixa de Deus, por causa de desentendimentos, e pediu que o P. Zylmann passasse a assisti-la pastoralmente, o que ocorreu até 1915, sendo sucedido pelo P. Heindenreich2.
Em 1924 alguns colonos de Crisciuma romperam com o P. Ideler e buscaram assistência por parte do P. Johann Langholf de Laranja da Terra. Logo, no entanto, a comunidade entendeu que deveria se reunificar novamente com Guandu sob assistência do P. Ideler, o que não se concretizou. Por fim, a comunidade elegeu o senhor Leopold Fick como professor, que também passou a realizar cultos de leituras na comunidade aos domingos3.
Neste contexto, a comunidade entrou em negociações com os pastores do Conselho Superior da Igreja, que, no entanto, não trouxeram resultado prático. O Conselho exigia a união da comunidade com a de Guandu; exigiu também que ao pastor fosse garantido um salário de pelo menos 3 contos de réis, o que ela não se viu em condições de atender. Em 15 de setembro de 1924, realizou-se uma Assembléia da comunidade, com a presença do presidente P. Petersen (Sínodo da Caixa de Deus) com os pastores Langholf e Wisznat. Decidiu-se constituir uma comunidade com o nome de “Comunidade Evangélica Luterana de Cresciuma e região”. Os pastores seriam chamados através da intervenção do Sínodo de Santa Catarina, Paraná e outros Estados e a comunidade se responsabilizaria em pagar o salário do pastor. No terreno adquirido no Quilômetro 9 seria construída a casa pastoral e a escola. Como diretoria da comunidade, foram eleitos Karl Lüdtke, August Zuelske e Gustav Schmidt. Até a chegada do novo pastor, o P. Langholf atenderia a comunidade. Assim, no dia 8 de dezembro de 1924, a comunidade se aliou ao Sínodo Evangélico Luterano de Santa Catarina, Paraná e outros Estados. No dia 21 de fevereiro de 1925, o P. Paul Knoch assumiu as atividades na comunidade, sendo instalado oficialmente em 5 de março do seguinte4.
Em 7 de junho de 1925, realizou-se o encontro distrital do sínodo em Laranja da Terra, onde se decidiu pela adoção da liturgia bávara e do hinário pomerano. No dia 13 de dezembro de 1925, a comunidade festejou a inauguração da escola e de uma sala de cultos5. Em 1926 iniciou-se o trabalho com jovens na comunidade através do professor Silbermann. Com a transferência de Silbermann para Laranja da Terra no ano seguinte, a comunidade contratou o diácono Olberg6.

Adoentado, o P. Knoch deixou a comunidade em fevereiro de 1934, sendo sucedido pelo P. Georg Weber. Durante a Segunda Guerra Mundial, pastores foram presos e a língua alemã foi proibida. Neste período, o senhor Emil Jann passou a oficiar cultos de leitura, administrar a Santa Ceia a moribundos e oficiar sepultamentos. Com a saída do P. Weber, o P. Grottke, de Laranja da Terra, passou a assistir a comunidade, até que o P. Hempfling a assumisse. Este também deixou a comunidade por causa do clima quente da região em 7 de março de 19547.

Templos

Em 1911, alguns colonos construíram uma capela no Km 6, inaugurada naquele ano pelo P. Wrede8. Sob a atuação do P. Paul Knoch, surgiu o desejo da comunidade de construir uma capela no Km 9, demolindo-se a capela do Km 6, utilizando parte do material para a nova capela. No entanto, alguns membros não concordaram com esta idéia. No dia 23 de abril de 1925, decidiu-se que o senhor Franz Loose deveria construir a nova capela no lugar da antiga. O grupo contrário deveria pagar uma soma de 3 contos de réis. Os custos do processo seriam assumidos pelos dois lados9.
Em decorrência dos conflitos, somente em meados de agosto de 1927, iniciou-se a construção da igreja. No dia 6 de maio de 1928, a construção estava pronta, faltando apenas a conclusão da parte interna. Em 15 de dezembro de 1929, a igreja pôde ser consagrada10.

Na manhã daquele dia, a comunidade se reuniu em frente à sua antiga casa de Deus, isto é, a escola, onde eram celebrados os cultos até então, para agradecer pela bondade e graça de Deus, que permitiu que a Palavra fosse pregada e os Sacramentos celebrados naquele local. O P. Knoch leu o Sl 103.1-3 e fez uma oração. A seguir a comunidade cantou “Nun danket alle Gott”, despediu-se da escola e se dirigiu à igreja, reunindo-se em frente a porta da mesma. Depois de cantar uma estrofe do hino “Lobe den Herren, den mächtigen König der Ehren”, o P. Knoch leu o Sl 24, ao qual a comunidade respondeu, cantando “Macht hoch die Tür, die Tore macht”. A seguir as portas foram abertas e a comunidade pôde entrar na igreja festivamente enfeitada. A comunidade cantou o hino “O, Heliger Geist, kehr bei uns ein”, fez-se uma oração e a leitura bíblica e, em seguida, o P. Knoch proferiu as palavras de consagração. Ressaltou que o mais importante era o fato de que Deus abençoou os anos de trabalho da comunidade para que pudesse construir sua igreja. Comparou a nova igreja com João Batista, pois como este estava no deserto, preparando o caminho do Senhor, assim também o interior do templo estava distante da beleza das cidades, sendo nas colônias alemãs guia e preparadoras de Jesus Cristo. A seguir, palavras de bênção foram proferidas pelos pastores presentes. Então teve início o culto, no qual o P. Langholf proferiu a prédica, baseado em Hb 13.811.

Torres

Quando da aquisição de sinos em 1926, a comunidade decidiu pela construção de campanário. O mesmo foi construído pelo senhor Karl Lüdtke12.

Sinos

No quarto domingo de Advento de 1926, esta pequena comunidade teve a alegria de inaugurar e pela primeira vez soar os seus novos sinos. Essa aquisição tornou-se possível porque cada membro da comunidade voluntariamente contribuiu para a mesma. Foram encomendados 3 sinos fundidos em aço (Klangstahlglocken) da firma Schilling e Lattermann em Apolda, Thüringen. Foram escolhidos sinos com a tonalidade as-c-es e com peso de 750kg, 350kg e 200kg. Os sinos foram adquiridos ao preço de 2.000 Marcos, ou em valor brasileiro da época, 4 Contos de Réis. Sob a coordenação do mestre de obras, Sr. Carl Lüdtke e seus fiéis ajudantes, foi construído um campanário. Com base nas palavras inscritas nos três sinos: “Seid fröhlich in Hoffnung, geduldig in Trübsal, haltet am Gebet!” (Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração), o pastor proferiu a alocução de consagração. Após esta, os sinos soaram e deixaram ecoar a sua tonalidade, que é forte e límpida, o que atribui a firma Schilling e Lattermann muitas glórias13.

Bibliografia:

LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien;Festschrift zum 50-jährigen Bestehen der lutherischen Synode am 9. Oktober 1955. São Leopoldo: Rotermund & Co, [1955].
EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Das Wort sie sollen lassen stahn! – Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 21. Jahrgang, n. 3, Joinville, março de 1927. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Das Wort sie sollen lassen stahn! – Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 24. Jahrgang, n. 4, Joinville, abril de 1930.

Obreiros e obreiras

Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Crisciúma).

PeríodoObreiro/aFonte
? – ? Heinrich Wrede em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
? – ? Eduard Streuli em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
? – ? Gotthard J. Grottke em Comunidade Evangélica de Alto Bananal Atuou na comunidade a partir de Laranja da Terra. indefinido
? – ? Egbert Zylmann em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
? – ? Waldemar Ideler em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
? – ? Johann Langholf em Comunidade Evangélica de Alto Bananal Atuou na comunidade a partir de Laranja da Terra. indefinido
abril 1925 – 12 outubro 1926 Wilhelm Brick em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
21 fevereiro 1925 – fevereiro 1934 Paul Knoch em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
1927 – 1928 Johann Knoch em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
2 setembro 1928 – 1931 Wilhelm Küster em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
12 abril 1931 – 1938 Erich Fischer em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
fevereiro 1934 – ? Georg Weber indefinido
12 junho 1951 – 17 março 1954 Hans Hempfling em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido
27 abril 1954 – ? Karl Ernst Schneider em Comunidade Evangélica de Alto Bananal indefinido

Notas e fontes

  1. 1. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 215.
  2. 2. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 211.
  3. 3. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 215.
  4. 4. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 215s.
  5. 5. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 217.
  6. 6. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 218.
  7. 7. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 220.
  8. 8. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 210.
  9. 9. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 216s.
  10. 10. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 218.
  11. 11. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 24. Jahrgang, n. 4, p. 28.
  12. 12. Cf. LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 218.
  13. 13. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 21. Jahrgang, n. 3, p. 22; LUTHERISCHE KIRCHE IN BRASILIEN, Lutherische Kirche in Brasilien, p. 218.