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IECLB História Acervo histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Comunidade

Comunidade Evangélica de Candelária

Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Candelária · Candelária – RS

Colônia

A colônia foi fundada na década de 1850 sendo denominada de “Germania na Costa da Serra do Butucarahy”1. Descreveu-se as estradas da Vila Germânia como tendo uma aparência alegre, pois eram campestres. Por toda a parte brotavam folhagens verdes entre as casas2.

Procedência dos imigrantes

Menciona que os primeiros moradores da localidade chegaram no ano de 1862 aos quais se somaram outras famílias evangélicas vindas especialmente de São Leopoldo3.

História

Desde 1866, a communidade era assistida pelo P. Smidt de Ferraz. Mais fortalecida, pôde contratar um pastor próprio o que se concretizou em 1874 com o desmembramento da comunidade de Ferraz e através da vinda do P. Kaz. Kaz, depois de dois anos de muitas lutas e protestos enfrentados na comunidade, teve de abandonar seu trabalho em 1877 e voltar à Europa por motivo de doença. Em seu lugar assumiu o P. Haetinger, de Ferraz. Em 1891 o P. Haetinger foi chamado a se tornar pastor itinerante do Sínodo Riograndense. Assim a comunidade chamou o estudante de filosofia Natorp para assumir as funções pastorais na comunidade. A pedido de grande parte da comunidade, o Sínodo Riograndense enviou, em 1903 o pastor itinerante Max Dedekind, que atendia a comunidade de 14 em 14 dias, constituindo novamente uma comunidade ligado ao Sínodo Riograndense. O culto acontecia nas dependências da escola do Professor Hennig. Existiam oito escolas comunitáras na paróquia e somente uma pública. Foram introduzidos nas escolas histórias bíblicas, o catecismo de Lutero bem como o livro de perguntas de Württemberg. O ensino confirmatório era realizado na igreja todas as sextas-feiras de manhã das 8 às 11 horas. Se exigia dos confirmandos decorar o Catecismo Menor de Lutero e as 73 perguntas e respostas do livro de perguntas de Württemberg4. A 30 de outubro de 1904, pastor itinerante W. Osterkamp, fixou residência em Candelária e passou a assistir as comunidades da serra, como Rincão da Estrela, Jacuizinho e Nova Colônia (Sobradinho)5.
Em 1906 o pastor da comunidade de Candelária também passou a assistir os evangélicos residentes no Alto Jacui, a saber, as comunidades de Jacuizinho, Rincão Estrella, Arroio do Tigre e Arroio Bonito. Estas comunidades eram assistidas por pastores não ordenados que praticamente as arruinaram6.
O pastor recebia 2.400 Milréis e era pago pelo Caixa da Diaspora. O P. Osterkamp se transferiu para a comunidade de Ferraz em 1909, sendo sucedido pelo P. Krajnovic, que também assistia as comunidades da serra. Entretanto ele foi transferido a Guarani em 1910 e a comunidade passou a ser assistida pelo P. Wilhelm Tesch, de Serro Branco, sendo ainda visitada pelos pastores itinerantes Sellins e Arnold. Em 1926 a comunidade abrangia 104 famílias, totalizando 620 pessoas. No mesmo ano se realizaram 25 batismos, 3 casamentos, 8 confirmações e 2 sepultamentos7.
Depois da morte do pastor não ordenado Natorp, a comunidade se tornou sinodal em 1927. A ele sucederam-se os pastores Ziech e Becker. A comunidade atendida pelo P. Natorp contratou o P. Bohn, de Erechim8.

Templos

Em 30 de janeiro de 1873, 85 homens se juntaram para construir a “Igreja de Lutero” na Villa Germania9. Em 1874 deu-se início à construção do templo. Em 1882 ocorreu a consagração pelo P. Haetinger. O custo total da obra foi de 16.000 Milréis10. Em 1876, menciona-se que foi construída um templo que demorou bastante11.
Segundo o relato do P. Haetinger: “Perto do meio-dia chegamos à casa do P. N. em Vila Germania. A igreja lá, com seus três sinos, era a mais bonita que eu já havia visto no Brasil; ela era de bom gosto e nobre, ornamentada com certa elegância. Altar, púlpito e eu acredito que também os bancos são trabalhados artisticamente. A acústica parece ótima. Se comenta que, por causa da beleza interna da igreja, ela fica lotada no Domingo12.
A comunidade evangélica deste distrito possuía um templo no meio deste local, distante da estrada principal, em um terreno mais ou menos grande. A construção estava cercada com uma sólida cerca de arrame, cujos lados admiráveis eram ornados com palmeiras. A bela construção de 60 pés de comprimento e 40 pés de largura foi construída em parte de pedras brancas e em parte de tijolos – Seu primeiro telhado foi substituído em 1880 por uma nova chapa. As admiráveis cumeeiras carregavam uma bela cruz de ferro; nas duas pilastras havia duas lindas torres pequenas. Mas então no rico e longo portal trabalhado em madeira estava a inscrição em elevadas letras a palavra do Senhor “Venham a mim todos que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11.28) O interior do templo possuía um artístico altar de madeira de cedro. Também artisticamente trabalhado era o púlpito e a cadeira do pastor. Sob o púlpito bem como nos dois lados do altar havia para a família do pastor, para a diretoria da comunidade bem como para os cantores e anciãos três grandes bancos, preenchidos pela comunidade; assim também o coro. Todos os trabalhos em madeira e cedro eram envernizados; os trabalhados em madeira de pinheiro como escadas, recintos e colunas eram pintados de cor prata. Os dois tetos eram pintados em cor de óleo. O assoalho era de lâminas de arenito. As paredes eram enfeitadas com Feeskomalerei. Diante das 10 janelas estavam penduradas por enquanto Rallen ?do culto no valor de 106$000Rs. Para a celebração do Santo Sacramento a comunidade possuía os utensílios necessários no valor de 110$000 Rs. A comunidade possuia também um templo belo e digno conforme seu fim, do qual ela podia se orgulhar, sobretudo por ter-lhe custado 18:000$000 Rs, sem ajuda de outras comunidades, mas apenas com a contribuição de seus membros. Nesse sentido o templo, iniciado em 1872, só pôde ser consagrado em 1882. – Mas a metade dos membros atuais da comunidade, 75, contribuía para a construção da igreja com 100 e 130$000 Rs. No total a comunidade, desde a sua existência, contribuiu com quase 40:000$000 Rs para o templo e fins comunitários13.
No Jornal Sonntagsblatt se observou que particularmente belo era o altar e o púlpito trabalhado em madeira. Ambos eram considerados exemplares. A comunidade também era a maior comunidade do nosso estado. Todos os protestantes da colônia, em torno de 450 membros, formavam a comunidade14.
A “Igreja de Lutero” se tornou templo da comunidade de Natorp15. Por isso, a comunidade sinodal construiu um salão de oração foi consagrado em 27 de fevereiro de 1927. A torre do salão de oração foi consagrada em 7 de abril de 1929, bem como os três sinos16.

Torres

No Jornal Sonntagsblatt se observou que a torre com sinos fora concluída no domingo, 23 de agosto de 1890 e que a consagração ocorreria no dia 21 de setembro. Mencionou-se ainda que a comunidade possivelmente possuía a maior igreja, de qualquer forma a maior torre e os maiores sinos entre as igrejas evangélicas do Rio Grande do Sul17. A consagração da torre em Germania foi, em parte, prorrogada por causa do mau tempo18, sendo consagrada somente no dia 2 de novembro19.
A Igreja era uma das maiores da colônia, tinha a torre mais forte e era bem arrumada.20.

Obreiros e obreiras

Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Candelária).

PeríodoObreiro/aFonte
? – ? Heinrich Friedrich Julius Kramer em Ponto de Pregação Vila Marilene 75 JAHRE RIOGRANDENSER SYNODE; 1886 - 1961. São Leopoldo: Sinodal, [1961]., p. 92
? – ? Walter Sille em Ponto de Pregação Vila Marilene 75 JAHRE RIOGRANDENSER SYNODE; 1886 - 1961. São Leopoldo: Sinodal, [1961]., p. 97
? – ? Werner Wahlhäuser em Ponto de Pregação Vila Marilene 75 JAHRE RIOGRANDENSER SYNODE; 1886 - 1961. São Leopoldo: Sinodal, [1961]., p. 104
? – ? Wilhelm Hermann Friedrich Tesch Atuou na comunidade a partir de Serro Branco. DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemein..., p. 68s
? – ? Ludwig Bohn DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemein..., p. 68s
2 setembro 1874 – 1877 August Friedrich Kaz WACHHOLZ, Wilhelm. "Atravessem e Ajudem-nos"; a atuação da Sociedade Evangélica de Barmen..., p. 265
8 abril 1877 – 31 outubro 1891 Michael Haetinger DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 267
1891 – 1924 NATORP, obreiro não-ordenado DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemein..., p. 68s
1903 – ? August Theodor Franz Hilmar Max Dedekind Atuou na comunidade como Pastor itinerante. DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemein..., p. 68s
30 outubro 1904 – 1908 Wilhelm Karl Osterkamp Atuou na comunidade como pastor itinerante. DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemein..., p. 68s
abril 1908/1909 – fevereiro 1910 Johann Krajnowitsch DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemein..., p. 68s
1925 – 1927 Reinhold Ziech em Ponto de Pregação Vila Marilene DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 31
1927 – 1928 Hermann Wartenberg DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemein..., p. 68s
1929 – 1931 Rudolf Paul Theodor Becker em Ponto de Pregação Vila Marilene DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 2
1929 – 1931 Albert Prophet DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemein..., p. 68s
1931 – 1939 Wilhelm Schütze em Ponto de Pregação Vila Marilene DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 26
1936 – ? Ernesto Theóphilo Schlieper em Ponto de Pregação Vila Marilene DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 24

Fotos (2)

  • Igreja, Escola e Internato em Candelária

    Igreja, Escola e Internato em Candelária

  • Comunidaded Evangélica Candelária

    Comunidaded Evangélica Candelária

Notas e fontes

  1. 1. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 52 ; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 68.
  2. 2. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 12. Jahrgang, n. 35, p. 133s.
  3. 3. Cf. M. HAETINGER, Parochialbericht der deutsch-evangelischen Gemeinde in Villa Germania im District Costa da Serra de Butucarahy im Munic. v Rio Pardo, Provinz Rio Grande do Sul, Germania, abr. 1886, p. 1.
  4. 4. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 52; M. HAETINGER, Parochialbericht der deutsch-evangelischen Gemeinde in Villa Germania im District Costa da Serra de Butucarahy im Munic. v Rio Pardo, Provinz Rio Grande do Sul, Germania, abr. 1886, p. 2, 9s.
  5. 5. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 147.
  6. 6. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 180.
  7. 7. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 147s.
  8. 8. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 148.
  9. 9. Cf. Max DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 52; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 68.
  10. 10. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 147.
  11. 11. Cf. AEDB, 1876, p. 26.
  12. 12. Cf. Sonntagsblatt fur die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 7. Jahrgang, n. 4, p. 182.
  13. 13. Cf. M. HAETINGER, Parochialbericht der deutsch-evangelischen Gemeinde in Villa Germania im District Costa da Serra de Butucarahy im Munic. v Rio Pardo, Provinz Rio Grande do Sul, Germania, abr. 1886, p. 3.
  14. 14. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 12. Jahrgang, n. 35, p. 133s.
  15. 15. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 68.
  16. 16. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 68s.
  17. 17. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 3. Jahrgang, n. 9, p. 4.
  18. 18. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 3. Jahrgang, n. 14, p. 4.
  19. 19. Cf. Sonntagsblatt fur die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 3. Jahrgang, n. 15, p. 4.
  20. 20. Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 12. Jahrgang, n. 35, p. 133s.