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IECLB História Acervo histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Comunidade

Comunidade Evangélica de Campo Bom

Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Campo Bom · Campo Bom – RS

Colônia

A colonização se deu na década de 1820 quando a região de Estância Velha até Campo Bom foi ocupada. O modo de ser e a fala dos imigrantes originários do Hunsrück marcaram a cultura local. Entre os primeiros colonos de Campo Bom se encontra o P. Klingelhöfer, de Battenberg, com sua família[1].
Com a divisão da colônia de São Leopoldo em 1829, Campo Bom se tornou o centro da colônia do lado oeste. Pelo fato de o governo estabelecer os católicos na margem esquerda e os protestantes na margem direita do Rio dos Sinos, em Campo Bom e Hamburgo Velho predominavam os protestantes. Alguns dos colonos que se estabeleceram na região de Campo Bom até Estância Velha eram de sobrenome Meyer, Zimmermann, Jacobsen, Diefenthäler, Koch, Weinmann, Schilling, Lauer, Jakob Schmitt, Daamer, Arnt, Albrecht, Korzius, Auslinger, Schlachter Meyer e Baum. A estes seguiram Ludwig Hinkel, Andréas Huf, Meyer, Peter Selzer, Werb, Jakob Fritzen, Schirmen e Zimmermann[2].

[1] Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 37.
[2] Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 72.

Procedência dos imigrantes

Os imigrantes eram originários do Palatinado (Hunsrück)[1].

[1] Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 37.

História

Motivada pelo P. Klingelhöfer, em Campo Bom se formou a primeira comunidade teuto-evangélica no Rio Grande do Sul[1]. Klingelhoeffer foi também o primeiro pastor a atuar na comunidade, permanecendo lá até sua morte, ocorrida durante os conflitos entre as tropas imperiais e os revolucionários em Freguesia Nova (Barão Triumpho = Sertão Santana). Ele havia lutado ao lado dos revolucionários e foi sepultado em Porto Alegre. Em livro de registros da comunidade de São Leopoldo encontra-se anotado que ele havia sido sepultado no pátio da igreja e, mais tarde, seus restos mortais teriam sido transferidos para Porto Alegre. Por outro lado, o jornal evangélico alemão afirma que ele morreu quando queria trazer a família para Rio Pardo[2].
A partir da atuação de Klingelhoeffer, logo existiu uma comunidade constituída, sendo que a partir de Campo Bom também eram assistidos pastoralmente os evangélicos estabelecidos em Padre Eterno e Mundo Novo[3]. Em meados do século XIX, a paróquia de Campo Bom era constituída das comunidades de Picada 14 Colonias, São José de Hortêncio, Linha Nova, Picada Café, Picada 48, Dois Irmãos, Berghanerschneis, Hamburgo Velho e Estância Velha eram assistidas a partir de Campo Bom[4].
O sucessor do P. Klingelhöffer foi o certo Stauer, que assistiu a comunidade por apenas alguns meses em 1838. A ele seguiu o professor Schrader. Schrader foi encontrado afogado por ocasião de uma enchente. Em 1839, então, a comunidade elegeu o alfaiate Schmidt, chamado de pequeno Schmidt ou fradinho (Pfäffchen). Após transferir-se para São Lourenço em 1845, foi sucedido pelo P. Recke, em 1848. Recke destacou-se pela ordem com que mantinha os livros de registros da comunidade. Ele assistiu pastoralmente às comunidades que se localizavam ao longo do percurso até a Colônia de Mundo Novo (Taquara, Igrejinha e Três Coroas). Em 1867 ele teve de deixar a comunidade por motivo de mau procedimento, dirigindo-se a Buenos Aires. O P. Haesbaert, de Hamburgo Velho, passou a assistir pastoralmente comunidade[5].
No ano de 1868 a comunidade de Campo Leão, atualmente Sapiranga, se desmembrou da paróquia de Campo Bom. Quando o P. Haesbaert se aposentou, a comunidade de Campo Bom passou a ser assistida pastoralmente a partir de Sapiranga, pelos pastores Schmierer e Dohms. Durante a atuação de um pastor não ordenado, ocorreu uma dissidência na comunidade de Campo Bom. O P. Dohms tentou intermediar os conflitos internos, mas a comunidade por ele assistida, que constituía a maioria, acabou se filiando à paróquia de Hamburgo Velho, passando a ser assistida pelo P. Schwarz. Seu sucessor foi o P. Pechmann, que encontrou a comunidade constituída de apenas cerca de 50 membros e em condições desfavoráveis[6].
Campo Bom, mais tarde, se tornou uma cidade industrial. No ano de 1923 a comunidade se tornou independente novamente e o P. Schasse passou atuar na comunidade e na escola. Neste período foram fundados um coral e um grupo de senhoras na comunidade. Por volta de 1928 a comunidade contava com 231 famílias. Naquele ano foram batizadas 30 crianças, sete casais abençoados em matrimônio, 19 crianças confirmadas e 13 pessoas sepultadas[7].
Na comemoração dos 100 anos de existência da comunidade, em 1928, o P. Culmann escreveu uma pequena história: “100 anos de igreja evangélica-alemã em Campo Bom”[8].


[1] Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 37.
[2] Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 72; Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 37.
[3] Cf. AEDB (1878), p. 15.
[4] Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 73.
[5] Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und WittenbergMax DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 37., p. 73-5.
[6] Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 75.
[7] Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 75.
[8] Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 37.

Templos

Peter Rieth doou o terreno onde foi construída a primeira casa da comunidade. Nesta casa o P. Klingelhoeffer lecionava e ministrava os cultos aos domingo. Esta casa é considerada a primeira igreja evangélica no Rio Grande do Sul, sendo utilizada já em 1828[1].. Tratava-se de uma “igrejinha de madeira”[2], utilizada até 1851 como “capela de emergência” para os cultos comunitários[3]
Em 26 de junho de 1850, foi festivamente lançada a pedra fundamental da nova igreja pelo P. Dr.Recke. A prédica de consagração foi baseada no Evangelho de Lc 14.28-34 e tinha o tema: “calcular a soma das despesas da construção”. Em sua pregação, Recke destacou: 1) Renúncia a tudo que temos para receber do Senhor da construção o que é necessário para a construção; 2) Após essa renúncia de tudo o que temos, traremos para essas despesas o divino sacrifício. Sobre a pedra angular será colocada a Bíblia alemã com o dizer:
“Bei deiner Bibel sitze gern!
Die ist der Weisheit Kern und Stern,
Die schlage auf, die schlage du
Fest mit des Sarges Deckel zu.”
Em 9 de fevereiro de 1851 essa construção de pedras, ou seja, de alvenaria, pôde ser consagrada festivamente pelo P. Recke. O texto da prédica, proferida também pelo P. Dr. Recke, estava baseada em Fp 4.6 “o que temos de orar comunitariamente?”: 1) A oração de intercessão é o trabalho de estudante, 2) A oração de agradecimento é a prova, 3) A oração por todas as coisas é o mestre na escola da oração. O coral que cantou na ocasião foi acompanhado com instrumentos de sopro. O coral masculino de 4 vozes, dirigido por Recke, abriu a celebração. A cada terceiro domingo do mês há culto na igreja de alvenaria. Essa igreja foi utilizada até 1936, após ter sido reformada e ter recebido um novo púlpito, um novo altar e sinos[4].

[1] Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 72s.
[2] Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 37.
[3] Cf. AEDB, 1878, p. 15.
[4] Cf. AEDB (1878), p. 15-17. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 37. Veja também Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 73-5.

Torres

Em 1899, menciona-se que a comunidade construíra uma torre de madeira para colocar os sinos[1].


[1] Cf. Sonntagsblatt für die evangelischen Gemeinden in Brasilien, 13. Jahrgang, n. 2, p. 5.

Obreiros e obreiras

Que atuaram na paróquia (Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Campo Bom).

PeríodoObreiro/aFonte
? – ? Oswald Atkinson em Ponto de Pregação Unidos Venceremos 75 JAHRE RIOGRANDENSER SYNODE; 1886 - 1961. São Leopoldo: Sinodal, [1961]., p. 99
? – ? Rudolf Wulfhorst em Ponto de Pregação Unidos Venceremos 75 Jahre ... p. 103, menciona que sua atuação ocorreu em Campo Bom-Canela. 75 JAHRE RIOGRANDENSER SYNODE; 1886 - 1961. São Leopoldo: Sinodal, [1961]., p. 103
1826 (outubro) – 1838 Friedrich Christian Klingelhöfer em Ponto de Pregação Unidos Venceremos Assumiu o pastorado após a transferência do P. Carl Leopoldo Voges para Três Forquilhas. Sua atuação se estendia por toda a "margem direita do Rio dos Sinos." Prien, Hans-Jürgen. Formação da Igreja Evangélica no Brasil; das comunidades teuto-evangél..., p. 53
1848 – 1867 Otto Heinrich Theodor Recke em Ponto de Pregação Unidos Venceremos DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 21
24/06/1923 – 1925 Friedrich Hermann Schasse DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 24
1925 – 1926 August Schweinitz em Ponto de Pregação Unidos Venceremos DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 27
1926 – 1931 Hellmut Culmann em Ponto de Pregação Unidos Venceremos DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 5
1937 – ? Erich Littwin em Ponto de Pregação Unidos Venceremos DEDEKIND, M.[ax]. Verzeichnis der deutschen evangelischen Pfarrer in Südamerika von 1823 b..., p. 16

Fotos (14)