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IECLB História Acervo histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Comunidade

Comunidade Evangélica de Campestre

Paróquia Evangélica Luterana Esperança de Salvador do Sul · Salvador do Sul – RS

História

Até 1899 essa comunidade era assistida por pastores não ordenados, como Beckmann, de Teutônia. Então foi assistida pelo P. Kunert, de São Vendelino. Por causa da aquisição de um crucifixo para a igreja, surgiu uma divisão na comunidade1. A carta abaixo auxilia a entender o conflito ocorrido:

Tem esta um fim particular e este é o seguinte: Como deves saber que as Sociedades protestantes daqui são duas e são partidas, pelo motivo que quando inaugurarão a Igreja collocarão no altar um cruzifixo e deves saber que o Protestante não admitte isso. Foi então por um grande numero de socios fundada uma outra Sociedade que hoje esta sendo chamado a igreja do “Auler” ao par que a antiga chamam ‘ do Weber’
A do Weber é servida por padre Missouriano (americano) e a outra pelo mesmo do Frankreich da Synode Rio Grandense. O respeito entre esses socios não é bão e é a causa que eu acho em não querer ser socio de nenhuma, mas sera possivel unificar-se as duas pelo que nos peço levar essa outra carta ao padre Wiehe e entregar em mão. Peço na mesma que faça conforme declarou ao Sr. Auler que davam (? riscado) um padre a mora em Campestre e ele ser tambem professor da Pfarrei (parochia). Em outros tempos forão por algumas vezes feito conferencias no sentido de paz mas não frutou senão mais raiva e desgostos. Desejo saber de Sr. Wiehe a quem devo escrever da Synode ou quem (se elle) quer da por escripto a proposta que sitei assima. Creio que deve dar-me ressullução bem brêve porque algum dos da Auler ja retiraram-se e outros pretendem retirar e vender seus bens aqui. Grande é o numero de Catholicos que vieram e fizerão verdadeiras pexinchas em compras, puramente devido a essa desunião.
Queira pois levar esta carta ao Sr. Wiehe e explicar que estou a 1 ½ anno collocado aqui e que gozo de alguma attenção e segundo penço ser o unico a conceguir união das duas. Dêves tambem fazer ver que Auler é pessôa sem alguma amizade entre o povo tanto que prometteu-me de não por obstaculo algum nas propostas de ambas. Diga tambem que meu futuro sogro não sabe o que fazer porque em Neuschneiz (onde morava) era cervido por padre Synodal e tem vontade em ficcar com esses, mas que a igreja do Auler tem o padre Synodal Arnds que não goze sympathia nemhuma o que ainda protege à atrazar o numero de socios ja pequeno (tambem ainda ha dividas 400,000). Schwantes não espêra juntar-se com a de Weber que adoram um crucifixo systema catholico o que têves (sic) fazer vêr ao Wiehe e termos certeza que só a Synode nos pode dar meios em fazer união. Ella tem padres sympathicos e intelligentes ao dispor e isso tem seu valor apreciado. Espero que da Synode sejam escripto duas cartas e nellas contendo as propostas a fazer e êlla tambem precisa fazer referencias duma carta dirijida ao Vorstand da do Weber e escripta por padre Ditschi (sic) Sapyranga.
Essa carta é o que attaca os socios da igreja do Weber a terêm vontade em acceitar padre synodal. Não querendo mais ou por mais tempo, occupar a vossa attenção julgar ser sufficiente para dares alguma informação e tambem depois me dares uma informação sobre o parecer de Sr. Wiehe
Sem mais
Lembranças
do Carlos2.

E. Frank escreveu assim sobre o assunto:

Perdão se eu, em nome da diretoria das duas comunidades locais, o importuno com um pedido. Talvez lhe é conhecido que em 1899 a comunidade local se separou após a construção da igreja e a seguir foi construída mais uma igreja. O ponto de separação foi a introdução do crucifixo com lustres sobre o altar. Nos dias de hoje, depois que a reunificação saiu, as diretorias se dirigem com seus pedidos ao presidente do Sínodo para que assuma o árbitro e que decida se o crucifixo pertence à igreja ou não. Também se deseja que a decisão logo aconteça.
Talvez vocês experimentaram que as comunidades protestantes, depois da saída do P. Martins, desejam uma reunificação. Na última reunião dirigida por mim, na qual quatro membros de cada comunidade se fizeram presentes, foi decidido perguntar ao presidente do Sínodo, Senhor P. Dietschi: ‘Pertence o crucifixo ao lado do Zubehör à igreja, segundo o rito da Igreja Protestante, ou não’. As comunidades precisam se manifestar. Mas como ainda há ânimos acirrados, eu faço o pedido de que se conceda ao presidente um curto quadro geral sobre isso, para que ele esteja em condições de corresponder ao bem das comunidades com sua senteça. Outros pontos convergentes são: 1. O obreiro deve ser ordenado; 2. As despesas do templo serão assumidas na mesma medida; 3. A antiga igreja permanecerá igreja, enquanto que na nova funcionarão a escola e os grupos; 4. Eventualmente os membros assumirão as despesas com construção e reformas. Em 2 de abril deste ano, um obreiro da igreja Missúri pregará em Maratá. Eu estarei no culto juntamente com muitos membros da comunidade e para que eu não deixe, sob qualquer ciscunstância, que Campestre se alie à Maratá, no caso de um pregador assim ir para lá, assim permanece combinado que poderá acontecer uma ligação com a França3.

Ahrens escreveu assim:

A comunidade dividida de Campestre, cuja grande parte passou a ser assistida pela Maratá até a saída do pastor não ordenado Martins e cujo pequeno resto passou a ser assistida pelo P. Kunert, simpatiza com a reunificação, que também é para ser desejada, mas quer se tornar independente. Uma parte da comunidade, assistida pelo P. Martins queria o crucifixo no altar, levantando uma grande intriga por causa disso e a outra parte se separou da comunidade e formou uma nova comunidade, assistida nos primeiros tempos pelo P. Kunert. Seria bom se a reunificação viesse e ocorresse uma ligação a Linha Brochier, pois havia o perigo de que a comunidade assistida pelo P. Martins fosse gekagert pelos obreiros da Missúri estabelecidos em Maratá. Assim nunca se chegaria a uma união. Assim que possível o árbitro do presidente do Sínodo deve chegar à comunidade de Campestre, para que a mesma tenha conhecimento do seu conteúdo4.

Conforme Frank

Talvez lhe seja de conhecimento que, no ano de 1899, a comunidade daqui se dividiu após o término do templo e, em seguida, construiu um segundo templo. [...]
O motivo da separação foi a introdução de um crucifixo com castiçal sobre o altar. Na atualidade, depois que a união foi bem encaminhada, a diretoria abaixo-assinada dirige à Vossa Reverendíssima, neste caso como Presidente do Sínodo, o afetuoso pedido de assumir a função de árbitro e queira decidir benignamente se o crucifixo com acessórios são convenientes ou não no templo.
[...] A última assembléia por mim dirigida, na qual estavam presentes quatro membros de cada comunidade, foi decidido entre outras coisas, procurar o presidente do Sínodo Senhor P. Dietschi para dar a sentença de arbítrio: “Crucifixo ao lado de acessórios tem ou não lugar legítimo no templo.”
[...] assim eu lhe dirijo o respeitoso pedido, reverendíssimo Senhor, repassar ao presidente para que possa dar breve parecer sobre este assunto, de forma que ele esteja em condições de emitir sua sentença de arbítrio) [...].

Segundo o P. Wiehe:

Por causa do conflito em Campestre, talvez o irmão [Pastor] Kunert estaria em condição melhor de emitir informações. Ele assistiu (pastoralmente) ao partido anti-crucifixo. [...] Minha sugestão é mais ou menos esta: Por estarem os utensílios, crucifixo e castiçal [no templo] e pelo fato da maioria os terem aceitado, assim estes devem ser mantidos, mas com o claro e público esclarecimento, de que eles não constituem parte essencial de um templo, mas somente servem para dirigir os pensamentos para o crucificado e para o caminhar na luz do Evangelho e desafiam para a busca por iluminação. [...]
Sem a atual unidade, certamente o partido sem crucifixo paulatinamene seria ‘engolido’ pelo outro partido. Por isso, o senhor somente encurtaria um processo natural [...]
Maratá decidiu dirigir-se ao [Sínodo de] Missúri e Campestre com suas 60 até 70 famílias prometeu que acompanharia, indiferentemente se Maratá se decidir pelo Sínodo [Riograndense] ou por Missúri. Como Missúri naturalmente irá declarar os “acessórios”, crucifixo e castiçal, não somente como admissível, mas certamente como indispensável, absolutamente necessário, poderá acontecer que o referido conflito seja alimentado. Talvez o partido dos que estão afeiçoados ao modo reformado (talvez 1/3) poderia levantar protesto contra um pastor missuriano5.

Segundo Ahrens:

Para efeitos de orientação, ainda se compartilho o seguinte. Uma parte da comunidade, a saber a atendida por Martins, queira de todos os jeitos ter um cruxifixo sobre o altar. Um conflito violente irrompeu em conseqüência disso, e a outra parte oposicionista se separou da comunidade e constituiu uma nova comunidade, a qual foi atendida no primeiro tempo pelo Pastor Kunert.

Templos

Por ocasião da aquisição do crucifixo para a igreja, a comunidade se dividiu e foram, assim, construídas duas igrejas, uma ornamentada com o crucifixo e a outra, segundo o P. Rupflin, ostentada na parede com todas as cores de trompetes de Säckigen (“an der Wand in Allen Farben den Trompeter von Säckingen prangen”)6.

Obreiros e obreiras

Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica Luterana Esperança de Salvador do Sul).

Notas e fontes

  1. 1. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 115.
  2. 2. Carta “do Carlos” para o “amigo Pedro”, Campestre, 21-VI-09. AHIECLB, SR 8/1
  3. 3. E. W. FRANK, Campestre, den 29. III. 05.
  4. 4. AHRENS, L. Brochier, den 3. April 1905. AHIECLB, SR 7/5 058/11
  5. 5. Montenegro, den 29 März 1905.
  6. 6. Cf. Ferdinand SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, p. 115.