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IECLB História Acervo histórico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Comunidade

Comunidade Evangélica de Bom Jardim

Paróquia Evangélica Esperança em Cristo de Iguiporã · Marechal Cândido Rondon – PR

Colônia

A colônia se formou com os imigrantes antigos vindos, em parte de Imbituva e em parte de Curitiba1.

Procedência dos imigrantes

Na vila de Bom Jardim ainda não moravam alemães propriamente ditos em 1911. Somente há três quilômetros da vila viviam várias famílias vindas da Saxônia. Estas, contudo, não permaneceram por muito tempo por lá. As primeiras famílias que se estabeleceram em Bom Jardim foram as de João Rikli e Emil Erdmann. Seguiram para a região a sogra de Rikli, senhora Mira Heche e seus filhos casados, Reinhold e Robert Heche, também seu cunhado Reinhard Werdt. Da mesma forma vieram o sogro de Emil Erdmann, David Erdmann, seus cunhados, Max Eidam, Ernst Eidam, Emil Eidam, Richard Eidam, Walter Scheunemann. Outro crescimento substancial da comunidade ocorreu com a vinda de Albert Gusse e seus familiares. Gusse e Erdmann assumiram a liderança na organização da comunidade evangélica local. No início, os cultos ocorriam em casas de membros, em especial nas casas de Albert Gusse, João Rickli e Ernst Eidam2.

História

Há quatro horas de Bom Jardim, em direção ao leste, estava localizada a colônia de Taió, junto ao Ipiranga, aonde moravam 32 famílias de “alemães novos”. Estes foram assistidos por pastor itinerante, como se registrou em relatório do ano de 1911. Contudo, destas famílias somente duas ainda permaneceram na localidade. As demais migraram para outras regiões. Há quatro horas em direção oeste de Bom Jardim, se localizava a colônia de São Roque. Lá foi fundada uma pequena comunidade que também construiu uma pequena capela. Mas também naquele lugar somente três famílias permanceram. As demais se mudaram especialmente para Mandury3.

A comunidade era filiada ao SEL-CD 4

Templos

No dia 24 de agosto de 1924, a comunidade de Bom Jardim pôde inaugurar sua igreja. Os senhores Albert Gusse e Rudolf Petsch enfeitaram a igreja com palmeiras por dentro e por fora. As crianças trouxeram inúmeras flores. A igreja havia sido construída pelo senhor Storrer, de Cupim, e media 8,80x6,60m. Sua posição era privilegiada, pois, localizada num morro, podia ser avistada de todos os lados, com suas paredes brancas e telhado vermelho. O ponto de destaque na igreja era o altar, considerado sem igual em toda a região. O altar era em estilo gótico de acordo com o plano de W. e E. Schmidt Co, Milwaukee, Wisc. Rudolf Petsch realizou o trabalho em madeira. Registrou-se que somente ainda faltava uma figura de Cristo no altar, que provavelmente seria fabricada em Curitiba, com 90 cm de altura. Também faltava ornamento para o púlpito e altar5.
Em 1930, menciona-se que a igreja da comunidade de Bom Jardim foi transformada em casa pastoral e, ao lado desta e da escola, se estava planejando a construção de uma igreja maior, que deveria ser inaugurada em novembro daquele ano. O Sínodo concedeu um empréstimo sem juros no valor de 500$000 à comunidade6.
No dia 8 de novembro de 1930, finalmente, a igreja de Bom Jardim pôde ser consagrada. Tudo já estava preparado no dia anterior. Além dos pastores Otto Kuhr, Knörr (Imbituva) e Wilhelm Mittelmeier com a filha e Hedwig e Elfriede Fugmann, participaram das festividades visitantes das comunidades de Imbituva e Ponta Grossa. Mesmo com a chuva forte que começou a cair por volta de 5:00 da manhã, os participantes caminharam da casa pastoral até a igreja7.
No dia da consagração, a comunidade se reuniu na casa do senhor H. Emil Eidam, onde até então eram realizados os cultos. Cantou-se o hino “Unsern Ausgang segne Gott”, orou-se o Pai Nosso e pronunciou-se uma bênção. Em cortejo e sob o soar do sino, a comunidade seguiu até a igreja. Defronte à igreja, ainda fechada, a comunidade cantou: “Tut mir auf die schöne Pforte”. Leu-se o Sl 24 e uma oração8. O senhor Emil Eidam entregou as chaves da igreja ao P. Knörr, que estava representando o Sínodo e este as entregou ao pastor local como o desejo de que, assim como as chaves abririam a igreja fechada, também as pessoas se abrissem ao discernimento da Palavra de Deus em seus corações para que ela se tornasse templo de Deus9.
Após abertas as portas, a comunidade se acomodou no templo. Apesar do mau tempo, a igreja estava lotada. A pequena igreja dava uma boa impressão com suas luzes coloridas na parte superior (Oberlichtern), bem como através de sua disposição interna. O coral misto cantou “Nun jauchzt dem Herren alle Welt”. A seguir, o P. Knörr proferiu o discurso de consagração baseado no Sl 80.1-4, saudando a comunidade em nome do Sínodo e da comunidade de Imbituva. Assim, a nova igreja da comunidade de Bom Jardim foi consagrada para seu serviço em nome do Deus Triúno. O quarteto cantou, então, “Dir, dir Jehova”, segundo Bach. A seguir, o P. Mittelmeier subiu ao altar e fez a leitura bíblica. Novamente o quarteto cantou uma melodia de Bach, “Lobe den Herrn”. Assim, seguiu-se o culto. O P. Mittelmeier oficiou também a liturgia. O P. Otto Kuhr proferiu a prédica, baseado em Ap 21.3: a igreja é a cidade do senhorio de Deus, ela quer consagrar o coração para ser templo santo e casa de Deus e ela deve ser um prenúncio do celeste senhorio. A seguir, o pastor local realizou o primeiro batismo na nova igreja. No final, o quarteto cantou “Weiss ich den Weg auch nicht”10.
Assim, encerraram-se as festividades11. Por causa da chuva, a planejada comemoração ao redor da igreja não pôde se realizar, sendo transferida para o galpão do senhor Emil Erdmann, onde os convidados saborearam um churrasco. Às 14hs. as festividades iniciaram. O P. Leistner saudou os presentes e afirmou que todas as comunidades deveriam ser apenas uma família. Por isso, todos deveriam se alegrar e festejar juntos. Vários corais cantaram vários hinos: “Das Wandern ist des Mühlers Luft”, “Wenn ich den Manderer frage”12.

A igreja, com terreno, janelas, bancos, altar, púlpito, arcada interior e exterior com cor de óleo custou 3:410$000. Cada membro deveria pagar 500$000e o resto seria arrecadado por meio de doações voluntárias. A coleta levantada no culto somou a importância de 55$50013.

Torres

A torre do templo construído em 1924, media 9 m. de altura e 2,60 m2 de largura14.

Sinos

O sino colocado na torre do templo construído em 1924 foi doado pela senhora Sophie Erdmann e pesava 58 quilos15. O mesmo foi consagrado por ocasião da consagração do templo, sob o desejo de que deveria anunciar o louvor a Deus e chamar a comunidade para a igreja e para a oração. Na ocasião a comunidade foi advertida a seguir o chamado do sino e freqüentar a casa de Deus16.

Bibliografia

EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Das Wort sie sollen lassen stahn! – Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, Joinville, fevereiro de 1925.
EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Das Wort sie sollen lassen stahn! – Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 24. Jahrgang, n. 7, Joinville, julho de 1930.
EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Das Wort sie sollen lassen stahn! – Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 26. Jahrgang, n. 1, Joinville, janeiro de 1932.

Obreiros e obreiras

Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica Esperança em Cristo de Iguiporã).

PeríodoObreiro/aFonte
? – ? Georg Leistner em Comunidade Evangélica de Porto Mendes DEDEKIND, Max. Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemein..., p. 18

Fotos (1)

  • Templo

    Templo

Notas e fontes

  1. 1. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.
  2. 2. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.
  3. 3. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.
  4. 4. Cf. Max DEDEKIND, [Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika], [1932], p. 18.
  5. 5. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.
  6. 6. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 24. Jahrgang, n. 7, p. 52.
  7. 7. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 26. Jahrgang, n. 1, p. 4.
  8. 8. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.
  9. 9. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 26. Jahrgang, n. 1, p. 4.
  10. 10. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 26. Jahrgang, n. 1, p. 4.
  11. 11. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.
  12. 12. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 26. Jahrgang, n. 1, p. 4.
  13. 13. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.
  14. 14. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.
  15. 15. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.
  16. 16. Cf. EVANG. LUTHER. SYNODE VON SANTA CATHARINA, PARANÁ U. ANDERN STAATEN, Evang. Lutherisches Gemeindeblatt, 19. Jahrgang, n. 2, p. 14s.