Colônia
Através do sistema de parceria, introduzido pelo senador Vergueiro, imigrantes foram atraídos para o Estado de São Paulo, dos quais cerca de 3000 se estabeleceram nas regiões de Piracicaba, Limeira, Rio Claro, Jerônimo, São João, Cresciumal, Campinas, assistidos pelo P. Hölzel1. Em 1897, dentre 2 milhões de habitantes no Estado de São Paulo, haviam 60.000 de origem alemã, e na capital São Paulo, que abrigava 40.000, haviam 4.000 a 5.000 alemães2.
No ano de 1837, 171 imigrantes alemães, em sua maioria da Prússia, foram estabelecidos na estrada de Cubatão a São Paulo como trabalhadores3.
Procedência dos imigrantes
História
Já antigamente havia alemães estabelecidos em São Paulo. No entanto a fundação de uma comunidade evangélico-alemã só se deu em 1 de novembro de 1871, quando a guerra contribuiu para que os descendentes de alemães se unissem7.
O P. Hölzel havia sido designado pela Associação de Colonização de Hamburgo, para a América do Norte, mas veio para Joinville. De lá, em 1858 foi para São Paulo, residindo no bairro dos Perdizes. Em 26 de dezembro de 1858, ele celebrou o seu primeiro culto em São Paulo na residência da família Schaumann, da Farmácia “Ao Veado d’Ouro”8. Em 1863 o P. Hötzel foi enviado à comunidade. Seu sucessor P. Kröhne também não permaneceu muito tempo na comunidade9.
Em 1871, o P. Kröhne, vindo de Curitiba, iniciou sua atuação na comunidade, atuando até 1873, pois a comunidade se desfez por falta de dinheiro. A partir de então, o P. Zink, enviado pela Sociedade Missionária de Basiléia e atuante no Brasil desde 1869, nas comunidades de Limeira, Jerômino, Rocinha, Rio Claro, Juiz de Fora e Campinas. Contudo, seria o Professor e P. Emil Bamberg que fundaria a comunidade em São Paulo10. A comunidade de São Paulo foi fundada em 188111. Entretanto, segundo Schröder, o P. Zink teria fundado a comunidade em 1889, chamando o P. Emil Bamberg em 189112. Um novo tempo começou quando o P. Bamberg, um filho da cidade e desde 1892 diretor da escola alemã, reuniu os alemães evangélicos e em junho de 1892 fundou novamente a comunidade. P. Bamberg foi chamado como pastor e oficiou cultos no salão dos presbiterianos norte-americanos. Segundo Dedekind, a comunidade foi fundada em 1º de novembro de 1871; por volta de 1873, a comunidade se dissolveu novamente e foi fundada de novo em junho de 1891-9513.
Desde 1908 a comunidade tinha uma casa pastoral. Nela funcionava um coral infantil, concertos comunitários, noites comunitárias, culto infantil, aulas de canto para crianças, Estudos Bíblicos, aulas de religião e um grupo de senhoras14.
Em 1928 a comunidade era atendida por dois pastores, compreendendo 524 membros15. A comunidade também contava com um coral feminino e oferecia concertos16.
Templos
Em maio de 1899, foi criada uma comissão para construção (do templo), mas a construção não ocorreu. Em 14/04/1907 ocorreu o lançamento da pedra fundamental e, em 25 de dezembro de 1908, a inauguração do templo na Rua Visconde do Rio Branco, 10, com auxílio financeiro do CSEB e OGA (esta com 2000 (réis?))17.
O "Die Deutsche Zeitung von Sao Paulo" relata que, no dia da inauguração do templo, por volta das 10 horas, os sinos soam e o Pastor Teschendorf abre e entra no templo. Atrás dele vem os membros do presbitério e são trazidos os utensílios do templo, a taça prateada das hóstias, a jarra e o cálice da Santa Ceia18. Os senhores Daniel e Hermann Hendenreich presentearam a comunidade com uma parte da soma que equivalia à construção e três sinos, o maior deles pesando 1000 kilos19.
Inicialmente os cultos eram celebrados no templo presbiteriano. Junto com estes, planejava-se a construção de um templo na esquina da Avenida São João com a Rua Hervetia. Contudo, a construção conjunta não se concretizou. Então, os irmãos Heydenreich doaram um terreno junto ao Largo Paissandu na Alameda dos Bambús, adiante da Rua Visconde do Rio Branco, de forma que ali pôde ser construído o templo, inaugurado em dezembro de 190820.
A comissão para a construção do templo da comunidade de São Paulo, em sua reunião em 7 de fevereiro de 1907, decidiu assumir o projeto do arquiteto senhor Guilherme von Eye, que fez um orçamento de 43:500$000 para a construção da igreja e assumiu também a construção da casa pastoral orçada em 18:500$00021.
Em 14 de abril foi lançada a pedra fundamental do templo, comemorada festivamente. Com muita esperança, prosseguiu-se com a construção da obra que, por vezes, foi interrompida. Temia-se que o contrato com o senhor von Eye não pudesse mais ser mantido. Pensou-se, então, na possibilidade de acrescentar 2 a 3 Contos de Réis ao pagamento do senhor von Eye. Contando com o auxílio do Gustav Adolf-Vereins, a comunidade continuou a obra e decidiu adquirir um órgão. O pagamento deste foi à Firma E. E. Walter & Comp. In Ludwigsburg, gentilmente feito pelo senhor Luiz Bamberg, através de seu comissário. A tentativa de importar o órgão sem isenção de direitos foi rejeitada pelos enviados do rei. Também o senhor Córner, que se dirigiu à Firma Krupp-Essen com o pedido de sinos, recebeu resposta negativa. Por sua vez, a senhora Stegners se dirigiu ao duque de Mecklenburg-Schwerin, pedindo um crucifixo para o altar, recebendo resposta afirmativa. Em aberto permanecia o pedido por paramentos para o altar e púlpito, dirigido à duquesa de Baden. O Senhor Traugott Heydenreich e a senhora Gemahlin doaram três lustres para iluminar a nave do templo, o vestíbulo e a sacristia. O ancoradouro da Associação de navios Hamnurguesa-sul-americana trouxe o órgão até Santos sem cobrar o frete22.
Para a construção do templo, a Gustav Adolf-Verein doou 1300 Milréis e o Conselho Superior da Igreja mais 1500 Milréis, aumentando o fundo para o pagamento da construção em até 58:579$200. Planejava-se a inauguração do templo para início de fevereiro de 1908. No entanto, em 17 de novembro, o senhor von Eye se dirigiu em carta à comissão da comunidade, destinada a coordenar a construção do templo, informando que deixaria a obra se não se lhe pagassem 12:730$000, pois ele não havia pago uma série de fornecedores. A comissão decidiu interromper o contrato com o senhor von Eye, interrompendo-se, ao mesmo tempo, a construção do templo e da casa pastoral. Em uma reunião geral em 15 de março se decidiu reformular estatutos da comunidade. De 22 a 27 de junho e de 1 a 2 de julho de 1907, o P. M. Braunschweig visitou a comunidade23.
O templo da comunidade centro é denominado Igreja da Paz24. Em 25 de dezembro de 1908 o templo foi inaugurado, juntamente com a casa pastoral25. São Paulo possuía três sinos, além de um órgão26.
Bibliografia
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B.[EGRICH], [Martin]. História da Igreja Evangélica Lutherana de São Paulo, Avenida Rio Branco, 34. In: BEGRICH, Martin (Hrgb.) 1912 1962; Em Comemoração do 50.° Aniversário do Sínodo Evangélico do Brasil Central fundado em 28/30 de junho de 1912. São Paulo: Hugo Grobel, [1962]. p. 43-45.
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Obreiros e obreiras
Que atuaram na paróquia (Igreja Evangélica Luterana de São Paulo - Paróquia Centro).
Notas e fontes
- 1. Cf. [Martin] B.[EGRICH], História da Igreja Evangélica Lutherana de São Paulo, p. 44.
- 2. Cf. Max DEDEKIND. 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 82.
- 3. Cf. Ferdinand SCHRÖDER. Brasilien und Wittenberg, p. 307.
- 4. Cf. [Martin] B.[EGRICH], História da Igreja Evangélica Lutherana de São Paulo, p. 44.
- 5. Cf. Ferdinand SCHRÖDER. Brasilien und Wittenberg, p. 307.
- 6. Die 15. Ordentliche Synodaltagung der Mittelbrasilianischen Synode in São Paulo 1959, p. 6s.
- 7. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 14.
- 8. Cf. [Martin] B.[EGRICH], História da Igreja Evangélica Lutherana de São Paulo, p. 43s.
- 9. Cf. Ferdinand SCHRÖDER. Brasilien und Wittenberg, p. 312.
- 10. Cf. [Martin] B.[EGRICH], História da Igreja Evangélica Lutherana de São Paulo, p. 44.
- 11. Cf. HOEPFFNER, Gesamtbericht über die Gemeinden der Mittelbrasilianischen Synode. In: 25 Jahre Mittelbrasilianische Synode, p. 14.
- 12. Cf. Ferdinand SCHRÖDER. Brasilien und Wittenberg, p. 312 e Cf. Bruno GEISSLER. Die Kulturbedeutung der deutschen evangelischen Kirche in Brasilien, p. 11.
- 13. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 14.
- 14. Cf. Bruno GEISSLER. Die Kulturbedeutung der deutschen evangelischen Kirche in Brasilien, p. 11.
- 15. Cf. Ferdinand SCHRÖDER. Brasilien und Wittenberg, p. 312.
- 16. Cf. Bruno GEISSLER. Die Kulturbedeutung der deutschen evangelischen Kirche in Brasilien, p. 9.
- 17. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, p. 14.
- 18. DIE DEUTSCHE Zeitung von Sao Paulo. Die Einweihung der deutschen evangelischen Kirche in Sao Paulo-25. Dez. 1908. Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 47, p. 38-39, 1909
- 19. DIE DEUTSCHE Zeitung von Sao Paulo. Die Einweihung der deutschen evangelischen Kirche in Sao Paulo-25. Dez. 1908. Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 47, p. 42, 1909
- 20. Cf. [Martin] B.[EGRICH], História da Igreja Evangélica Lutherana de São Paulo, p. 44 e Cf. HOEPFFNER, Gesamtbericht über die Gemeinden der Mittelbrasilianischen Synode. In: 25 Jahre Mittelbrasilianische Synode, p. 16.
- 21. Cf. EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA, Der Christenbote, n. 7, p. 4s.
- 22. Cf. EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA, Der Christenbote, n. 7, p. 4s
- 23. Cf. EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA, Der Christenbote, n. 7, p. 4s
- 24. Cf. Sínodo Evangélico do Brasil Central. Boletim Informativo n.23. Rio de Janeiro, 09.06.1966.
- 25. Cf. Ferdinand SCHRÖDER. Brasilien und Wittenberg, p. 312 e Cf. Bruno GEISSLER. Die Kulturbedeutung der deutschen evangelischen Kirche in Brasilien, p. 11.
- 26. Cf. Bruno GEISSLER. Die Kulturbedeutung der deutschen evangelischen Kirche in Brasilien, p. 6, 9.