Colônia
Em 02 de setembro de 1850, o Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau juntamente com Ferdinand Hackradt se estabeleceram às margens do Rio Itajaí com algumas famílias alemãs, no local aonde viria a ser erigida a colônia de Blumenau em 18521.
A fundação é marcada pela venda de doze lotes de terras a doze famílias alemãs2. Em 1851 chegaram 8 imigrantes à colônia, em 1853 mais 28, em 1855 chegaram mais 34 e em 1859 outras 29 pessoas. Em 8 de janeiro de 1860, a colônia do Dr. Blumenau foi assumida pelo Governo Imperial Brasileiro e o Dr. Blumenau nomeado o seu diretor vitalício3.
Em 1864, a colônia de Blumenau tinha 2.471 habitante, 412 eram católicos e 2.059 eram protestantes4.
Em 23 de setembro de 1868, a colônia possuía uma população aproximada de 4.500 pessoas, das quais a maioria era protestante. A lavoura e a indústria eram as atividades principais. O sistema de colonização do Dr. Blumenau recebeu a medalha de ouro na Exposição Internacional de Paris em 1867. Entre os colaborados do Dr. Blumenau estão Hermann Wendeburg, Hans Breithaupt, Emil Odebrecht, Theodor Kleine e Reinhold Freygang. O médico da colônia era o Dr. Bernhard Knoblauch, desde 1° de fevereiro de 1862. O Conselho Colonial era formado por Hermann Wendeburg como presidente, Dr. Bernhard Knoblauch, como médico da colônia, Gustav Spierling, Christoph Baucke, Wilhelm Schreiber, August Müller, Carl Külps e Reinhold Freygang. O fiscal era o carpinteiro Theodor Schröder e o farmacêutico Carl Franz Keiner era encarregado de suprir a colônia com medicamentos5.
Procedência dos imigrantes
A maioria dos 17 imigrantes iniciais era de Braunschweig. Os imigrantes que colonizaram a região posteriormente eram predominantemente de origem alemã. Havia alemães pomeranos, de Baden, Baviera, Böhmen, da Prüssia, de Mecklenburg, Silésia, Oldenburger, além de imigrantes da Holanda, do Reino Unido e da Suíça6.
História
A primeira pessoa a celebrar um culto em Blumenau foi o próprio Dr. Blumenau no primeiro domingo após a sua chegada em 1850. Este culto consistiu de leituras bíblicas, hinos corais, leitura de uma prédica e orações, sendo oficiado no Galpão dos Imigrantes7.
O P. Rudolph Oswald Hesse chegou a Blumenau em 30 de julho de 1857 e foi o primeiro pastor da comunidade. Ele foi remunerado pelo Governo Imperial8. O primeiro culto oficiado pelo P. Hesse se realizou no dia 9 de agosto e a comunidade foi fundada em 23 de agosto de 18579. Neste primeiro culto, ele solicitou à comunidade para que cada qual trouxesse o hinário que eventualmente possuíssem e ele se esforçaria em escolher hinos conhecidos e que constassem na maioria dos hinários. Alguns meses depois, ele informou à comunidade que exemplares do Antigo e do Novo Testamento poderiam ser adquiridos, pois o Dr. Blumenau havia recebido alguns exemplares10. Com isso, pode-se perceber que o P. Hesse não queria que a Bíblia fosse lida apenas no culto, mas também entre as famílias.
Em 1859, o pastor solicitou contribuições espontâneas durante os cultos, destinadas a adornar o púlpito e o altar. Nesse ano, dos 947 imigrantes residentes na colônia, 840 eram evangélicos11.
Na comunidade de Blumenau havia um Conselho da Igreja do qual faziam parte o P. Hesse como presidente, Hermann Wendeburg como diretor, Heinrich Köhler, Reuss, Peter Lucas e Eduard Romer12.
Em 1860, o P. Hesse visitou as colônias de Santa Isabel e Teresópolis, para oferecer amparo espiritual às famílias que lá se encontravam13.
Em 1876, foram realizados 303 batismos, 59 sepultamentos, 71 casamentos e anualmente havia de 150 a 160 confirmandos na comunidade de Blumenau.
A atuação do P. Hesse se estedia por toda a área que compõe atualmente o Sínodo Vale do Itajaí. Em 1877, o pastor de Blumenau atendia as comunidades de Gaspar, Belchior, Reale, Garcia, Encano, Warnow, Ilse, Neisse, Mulde esquerda, Itoupava, Rio do Testo, Benedito, Rio dos Cedros, etc. Nessa área havia ao todo 10.702 protestantes14.
Gradativamente, as comunidades filiais se desligaram da comunidade-mãe Blumenau: Brusque em 1864, Itajaí em 1890, Badenfurt com Carijós, Pomerode e Alto Rio do Testo em 1884, Indaial com Warnow, Ilse, Timbó e Rio Adda em 1889, Itoupava Rega e Massaranduba em 190015.
Em 1906, a comunidade se filiou à Igreja prussiana e também havia uma casa de diaconisas de Wittenberg na cidade. Desde 1909, havia duas irmãs que atuavam em Blumenau. Por ocasião da enchente do Rio Itajaí, a Associação Evangélica enviou um auxílio de 700 Milréis16.
Em 9 de agosto de 1907, a comunidade festejou os 50 anos de fundação. A festa arrecadou no total quase 500$000 que foram destinados para a organização de um lar de idosos e para a criação de um fundo diaconal17. Nesse ano também foram criados pontos de pregação em Gaspar e Belchior, nos quais também famílias católicas eram atendidas18.
Em 1929, a Associação de Senhoras Evangélicas construiu uma pensão para meninas19.
Em 1930, a comunidade compreendia 625 famílias, além das filiais Velha, com 76 famílias; Altona, 162; Itoupava Norte, 106; Belchior, 32; Bahu, 34; Gaspar, 38; Garcia e Russland, 12220.
Por ocasião dos festejos de 150 anos da presença luterana no Vale do Itajaí em 2000, a comunidade de Blumenau era composta por 5.717 membros e contava ainda com um ponto de pregação no Lar Elisabeth Koehler21.
Templos
O terreno para a igreja foi doado por Dom Pedro II. A primeira enxadada para aplanar o morro sobre o qual seria construída a igreja foi dada em 17 de novembro de 1865. A pedra fundamental foi colocada em 23 de setembro de 1868; a construção também contou com auxílio considerável de Dom Pedro II e a inauguração ocorreu em 23 de setembro de 1877. A construção do templo estava a cargo do arquiteto Heinrich Krohberger22.
Em 1920, foi realizada uma campanha entre os alunos do Ensino Religioso para a compra de novos paramentos para a igreja, pois os que estavam em uso já haviam se desgastado com a ação do tempo23. Os novos paramentos de cor verde-aveludada puderam ser usados pela primeira vez em 12 de setembro daquele ano, por ocasião da Confirmação. Além disso, sobre o altar foi posta uma pintura de Maler Graf retratando a cabeça de Cristo24.
"Der Deutsche Ansiedler" de dezembro de 1900 descreve o templo: sua planta mostra a forma do octógono grego. A construção não pode negar em seu aspecto exterior o estilo salomônico, e é por isso pensado e construído no estilo gótico. O estilo gótico alemão de igrejas acha suavidade através da confusão harmônica entre o estilo grego na planta e o estilo judaico na forma da construção25.
Sinos
Órgão
Em 1920, a comunidade de Blumenau recebeu um órgão doado por Johanne Hering. Segundo o relato no Jornal Der Christenbote, a freqüência nos cultos aumentou significativamente após a instalação do órgão26.
Bibliografia
M. DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika.
Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien.
Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien.
AEDB, 1878.
Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter.
Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika.
Nelso WEINGÄRTNER. 150 anos de Presença Luterana no Vale do Itajaí.
EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA UND MITTELBRASILIEN, Der Christenbote, n. 8, 13. Jahrgang.
BROTHUS, Bernhard. Die deutschen Kolonieen in Santa Catharina (Südbrasilien). Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 38, p. 96, 1900.
Obreiros e obreiras
Que atuaram na paróquia (Paróquia Evangélica Blumenau Centro).
Fotos (9)
Notas e fontes
- 1. Cf. M. DEDEKIND, 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 71; Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien, p. 263; AEDB, 1878, p. 59.
- 2. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 33.
- 3. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 33.
- 4. Cf. Max-Heinrich FLOS,. Nossos Pais/Unsere Väter, p. 161.
- 5. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 35ss.
- 6. Cf. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, 1932, p. 21; Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 33; Cf. Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien, p. 270.
- 7. Cf. Nelso WEINGÄRTNER. 150 anos de Presença Luterana no Vale do Itajaí, p. 29.
- 8. Cf. M. DEDEKIND,. 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeit in Nord u. Südamerika, p. 72.
- 9. Cf. Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien, p. 270. Veja também AEDB, 1878, p. 60.
- 10. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 61.
- 11. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 61.
- 12. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 39.
- 13. Cf. Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 65.
- 14. Cf. Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien, p. 270.
- 15. Cf. Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien, p. 271.
- 16. Cf. M. DEDEKIND,. 75 Jahre deutsch-evangelischer Diasporaarbeir in Nord u. Südamerika, p. 72.
- 17. Cf. EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA, Der Christenbote, n. 2, p. 3.
- 18. Cf. Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien, p. 271.
- 19. Cf. Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien, p. 272.
- 20. Cf. Ferdinand. SCHRÖDER, Brasilien und Wittenberg, Ursprung und Gestaltung deutschen evangelischen Kirchentums in Brasilien, p. 273.
- 21. Cf. Nelso WEINGÄRTNER. 150 anos de Presença Luterana no Vale do Itajaí, p. 30.
- 22. Max DEDEKIND, Die geschichtlichen und statistischen Vermerke über deutschen evang. Gemeinde in Südamerika, 1932, p. 24. Veja também EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA, Der Christenbote, n. 2, 1. Jahrgang, p. 5; Cf. AEDB, 1878, p. 60; Max-Heinrich FLOS, Nossos Pais/Unsere Väter, p. 41.
- 23. EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA UND MITTELBRASILIEN, Der Christenbote, n. 8, 13. Jahrgang, p. 5.
- 24. EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA UND MITTELBRASILIEN, Der Christenbote, n. 10, 13. Jahrgang, p. 6.
- 25. BROTHUS, Bernhard. Die deutschen Kolonieen in Santa Catharina (Südbrasilien). Der Deutsche Ansiedler, Barmen, ano 38, p. 96, 1900.
- 26. Cf. EVANGELISCHEN PASTORAL-KONFERENZ VON SANTA CATHARINA UND MITTELBRASILIEN, Der Christenbote, n. 8, 13. Jahrgang, p. 5